Tuesday, February 27, 2007

Moradia e Eventos

11.02 a 01.03.2007

Como se isso ainda fosse novidade, vamos novamente mudar de casa!! Eeeeeeeeeeeehhhhhhh!! O Salvatore vendeu o apartamento no Corso Lodi e comprou o atual, na Via Lecce. Agora vendeu este da Via Lecce, mas ainda não comprou outro. Vejam que bárbaro: até o começo de abril devemos abandonar a casa e ainda não temos para onde ir! Mas isso não é tudo. Salvatore sempre foi um ser deveras misterioso e nos últimos tempos não dorme sequer um dia em casa. Diante disso, alugou a cama dele por um mês para um Siciliano de nome Andrea, mas carinhosamente apelidado Comédia. O rapaz é estranho, não toma banho, só come cremalheiras e assiste televisão. Não sai, não se diverte (apesar de nossos inúmeros convites), não passeia para conhecer a cidade, tem um chulé da peste e um cecê dos infernos. Nossa convivência com ele sempre foi pacífica, mas é indiscutível que nossa liberdade fica um pouco limitada com a presença do Comédia em casa , pois ele tem seus horários para dormir, comer e toda uma rotina diversa da nossa. Mas agora ele já se foi e tudo voltou ao normal.
Começamos a procurar um apartamento para alugar por conta própria e decidimos nos desvincular do Salvatore de vez. Apesar das vantagens de morar com ele (não temos contrato, não pagamos caução, não há data fixa para o pagamento do aluguel, podemos fazer a bagunça que queremos e ele nunca está em casa), as desvantagens pesam mais: incerteza quanto ao tempo de permanência na casa, incerteza quanto à presença do Salvatore na casa (certa vez, pela manhã, estávamos dormindo na sala, eu e a Ana, e o Big dormia no quarto, quando de repente o Salvatore entrou no apartamento com outras três pessoas para visitar a casa. Deu meia-volta e saiu andando sem olhar pra trás, depois me mandou uma mensagem no celular pedindo desculpas.), não disponibilidade da casa para mobiliarmos e decorarmos como quisermos etc.
Com certeza em abril estaremos na minha quinta moradia desde que vim para a Itália. Que mágico!
Em se tratando de eventos, participei do Arrastão para Iemanjá organizado pela escola de samba Mitoka Samba durante os dias 3 e 4 de fevereiro. Foi uma mistura de seminário de percussão, no qual eu toquei pandeiro, com uma espécie cortejo egocêntrico pseudo-religioso, no qual dezenas de italianos festejam Iemanjá sem nem saber o que estão fazendo, o que é exatamente Iemanjá, e servindo como figurantes do teatrinho desejado pelo organizador que, sozinho, não conseguiria fazer este cortejo. Notei isso quando, logo após do evento, fui elogiar o organizador e dar até algumas idéias, no que ele foi extremanente rude e hostil, demonstrando antipatia total pela nossa escola de samba e até pela minha presença lá, como se eu fosse um espião da escola Feliz da Vida, enviado para acompanhar e criticar o evento. Liiiiixxxxoooo! O único ponto positivo mesmo foi reencontrar amigos de Napoli, Bari e Trieste e tocar um pouquinho de pandeiro.
Para o carnaval, o Feliz da Vida foi chamado para tocar num centro comercial em Mantova e no Corso Garibaldi em Milão, junto com o Mitoka Samba e uma academia de capoeira. De uns tempos pra cá, depois de tocar surdo e ganzá, parti para a caixa, e até que não estou me saindo muito mal. O Big, por sua vez, está tocando o surdo e cada vez mais entrosado com as músicas e com os demais percussionistas. Divertimo-nos bastante nos dois eventos e é muito bom estar tocando com o Big!Ainda no campo musical, no dia 18 de fevereiro toquei novamente no Ponto de Encontro do IBRIT e pensamos em organizar algo juntos, eu e o Emerson, para tocarmos no próximo Ponto de Encontro. Preciso atualizar meu repertório e ensaiar alguma coisa com o Big Bimba também, que já se tornou um Ovelha!! Ainda não temos uma data precisa, mas na próxima festa acontecerá sua estréia nos palcos com os Ovelhas.

Trabalho e Esporte

15.01 a 10.02.2007

Conforme já mencionado neste diário, comecei a trabalhar no Consulado-Geral do Brasil em Milão em novembro do ano passado, mas com um contrato a prazo determinado, inicialmente previsto para apenas 3 meses. Felizmente renovaram meu contrato por mais 9 meses e até novembro de 2007 estou tranquilo quanto ao meu salário no final do mês e quanto a fazer algo que exija um pouco mais do meu intelecto do que os trabalhos que fazia antes. A cada dia aprendo mais os procedimentos, as leis, os regulamentos e volto a me interessar pela vida jurídica, da qual havia me afastado e não pensava em retornar.
Assim, estou pesquisando acerca da validação de minha profissão de advogado aqui na Itália e, consequentemente, em toda a União Européia. Talvez leve um tempo para conseguir, pois provavelmente terei que cursar algumas disciplinas para equivaler meu histórico escolar universitário brasileiro com o italiano. Certemante terei que estudar a legislação italiana, os princípios jurídicos e constitucionais e toda a parte procedimental, mas devo aproveitar a segurança por tempo determinado que o trabalho no Consulado está me proporcionando, para buscar algo mais sólido e que de preferência me permita trabalhar para mim mesmo.
Ainda em relação a trabalhos, estou me aventurando por águas jamais dantes navegadas por mim. Há algum tempo, uma amiga italiana que toca tamborim na escola de samba, Laura, perguntou quanto eu cobraria para fazer conversações em português, pois ela adora a língua portuguesa e queria muito aprender a falá-la. Claro que eu disse ser incapaz de cobrar para conversar com uma amiga. Diante de insistência por parte dela, disse que poderíamos, de vez em quando, sair para tomar alguma coisa, bater um papo em português e, no máximo, ela pagaria a conta. No entanto, achei que isso poderia ser perda de tempo e de oportunidade e impus uma condição para fazermos as aulas de língua portuguesa a pagamento: que as aulas fossem divididas em três partes, quais sejam, gramática, textos e conversação, com direito e lição de casa. Ela aceitou e estamos nos encontrando toda quarta-feira das 21 às 23 horas. Está sendo uma experiência interessante para mim e estou tentando criar um método didático para usar com outros alunos italianos no futuro. Este trabalho faz-me unir o útil ao agradável, pois tenho uma renda a mais e me mantenho atualizado com minha própria língua. Só não sei se estou sendo um bom professor... Depois da última aula, saímos do quarto e nos deparamos com o Big Bimba e a Ana que conversavam na sala, no que minha aluna lançou a eles: "E aí, Zé Mané!? Tudo bem, Maria Gasolina!?".
Permito-me escrever um pouco sobre o trabalho do Big que, após dois meses em Milão, finalmente conseguiu um emprego e, o que é melhor, em sua área de atuação! Ele foi contratado para ser representante comercial pela Epicure, um empório de vinhos, na zona central de Milão. A experiência está só começando, mas ele tem tudo para se dar muito bem, pois finalmente encontrou um campo que gosta e se interessa.Mudando um pouco de assunto, após quase dois anos só andando de bicicleta e caminhando pela cidade, voltei a frequentar uma academia! A estabilidade salarial pelo trabalho no Consulado permitiu-me voltar a pratica o takwondo. A academia e o professor não chegam nem aos pés daqueles que havia no Brasil (Academia Nagasawa, mestre Binho), mas eles são sérios, não cobram muito e eu volto a me sentir melhor fisicamente, tanto na parte aeróbica quanto na muscular, o que me dá mais disposição para fazer tudo.

Tuesday, January 16, 2007

Izabella

12 a 14.01.2007

Tenho recebido milhares de cartas de fãs do mundo todo questionando-me o porquê de eu evitar ao máximo aspectos psicomulheris ou jamais falar sobre mulheres e paixões nos capítulos do Bimbando. Para me justificar, faço minhas as palavras do poeta: "O que abunda não prejudica, o peso amortece e o que sobra faz destroçar o que antes de ser já era, quanto mais, principalmente". Contudo, durante o final de semana dos dias 12 a 14 de janeiro de 2007 estive mais uma vez em Stockholm e conheci a mulher mais linda e fascinante da Europa (sim, pois as Américas ainda têm minha mãe e minha irmã, imbatíveis!). Uma loira de olhos azuis, com um sorrisso encantador e contagiante, uma energia eletrizante e um charme natural apaixonante. Ela mora na casa aonde fiquei hospedado e aproveitei-me disso para estar junto dela o maior tempo possível, somente perdendo-a de vista quando devíamos dormir ou quando sua mãe a levava para trocar as fraldas. Exatamente! Ela tem só 9 meses de idade, chama-se Izabella Ann Mattisdotter Wallgren, é filha da Tina e do Mattias, parte postiça de nossa família na Suécia, primos de coração, e eu me tornei o padrinho dessa pequena jóia, dessa "lilla gummam" sueca em 21 de outubro de 2006.
Na data do batizado eu acabava de retornar do Brasil à Itália e não tinha dinheiro para ir até Stockholm, de modo que não fui estive presente à cerimônia e ainda não havia conhecido minha afilhada. Mas havia prometido a mim mesmo que na primeira oportunidade iria correndo para a Suécia. Graças ao meu trabalho no Consulado e às empresas aéreas low cost (em especial a Ryanair, que faz Milão-Stockholm por 50 euros, ida e volta) consegui visitá-la ainda no mês de janeiro.
Cheguei sexta-feira à noite no centro de Stockholm, por volta da 1 da manhã, o que é bem tarde se considerarmos que a Tina e o Mattias têm um bebê de 9 meses em casa. Mas sofri uma sucessão de atrasos: o ônibus Autostradale que vai da Stazione Centrale de Milão até o aeroporto de Bergamo atrasou, o avião partiu com atraso e o Flygbussarna que vai do aeroporto de Skavsta até o centro de Stockholm também atrasou. Mas fui mantendo a Tina informada dos atrasos e, chegando em Stockholm, ela estava me esperando de braços abertos. Conversamos bastante durante o trajeto e, chegando em casa, o Mattias nos esperava sempre muito simpático e receptivo, mas a Izabellinha estava dormindo e não pude vê-la. Fomos dormir e no dia seguinte conheci minha linda afilhada e, ainda que as crianças não consigam se expressar perfeitamente (ainda mais num diálogo sueco-português!), sinto que ela gostou de mim e ganhei sua confiança. Procurei ficar bastante com ela e sempre quando saíamos de carro eu preferia ir com ela no banco traseiro e quando íamos às compras era eu quem a carregava.
Sábado fomos almoçar na casa da Ulrika, irmã da Tina, e pude revê-la, seu marido Tomaz, sua filha Amanda e sua mais nova filhinha de somente 4 meses, Jellen. À noite, foi toda a família em casa jantar especialidades suecas feitas pelo grande Mattias, que se revelou um exímio cozinheiro! Reencontrei a Boel com seu namorado Lars, a Ulrika com toda a trupe, e a Alexandra, com seu noivo Tomaz e com sua big pança de 7 meses de gravidez!
Estava já pirando o cabeção com a situação linguística da noite. Falava português com a Tina, espanhol com a Boel, inglês com os demais e gesticulava qualquer coisa com o Lars que só fala sueco. Bárbaro!
Todos foram embora por volta da meia-noite, arrumamos a cozinha e a sala e fomos dormir.No dia seguinte, pela manhã, 3 alces vieram nos visitar no jardim e a Tina mostrou-se descontente com a presença deles, pois comem todas as flores e plantas que ela tenta cultivar. Almoçamos "fajitas mejicanas" feitas pela Tina e que estavam, como diria o Roney Di, autor do Funk da Pamonha: "do jeitinho do meu paladar"! Logo após, Tina, Mattias e Izabellinha me acompanharam até o centro de Stockholm aonde eu deveria pegar o Flygbussarna até o aeroporto Skavsta. Estava chovendo, fazendo um tempo muito feio, mas nada que poderia tirar minha alegria de estar em meio a pessoas tão queridas, que me recebem sempre tão bem e que me aquecem tanto o coração. Com certeza, quando meu pai se tornou amigo do Stig e da Boel, pais da Tina, da Ulrika e da Alessandra, ainda nos anos 70, não imaginava que este elo entre pessoas distantes 15.000 km duraria por tanto tempo e, mais que isso, se tornaria cada vez mais intenso e sólido. Jamais imaginou que um dia seus filhos cresceriam e morariam perto de sua afilhada e de toda aquela amável família sueca, tampouco que um deles se tornaria padrinho de uma linda menina, representante da nova geração da perpetuação desse amor entre Brasil e Suécia. Hoje eu sinto na pele a impotência e inutilidade dos açoites do tempo e da distância aonde o amor foi plantado com sementes puras e em terreno fértil.

Tuesday, January 09, 2007

Trieste e Eslovênia

05 a 07.01.2007

Não sei se já comentei, mas decidi que este será o ano das viagens! Ao menos uma por mês, por um final de semana, quero realizar. Pois bem...
Quando fui à La Spezia para o encontro nacional das escolas de samba da Itália conheci gente de toda a Itália e fiz muitas amizades válidas. Uma delas foi a Francesca, que toca surdo na escola de samba Berimbau, da cidade de Trieste, extremo nordeste da Itália, fronteira com a Eslovênia.
Como acontece sempre nesse tipo de encontro, todos prometem a todos fazer uma visita e todos oferecem a todos a casa para hospedagem. Assim, diante do convite de minha nova amiga Francesca, fui a Trieste dar seguimento aos meus rolês pela Europa.
Fui na sexta-feira logo após ter saído do Consulado. Deu só o tempo de passar em casa, trocar de roupa, pegar a mala e partir para a Stazione Centrale. Tudo bem que o trem chegou em Trieste com 1 hora de atraso e a Francesca me esperava para jantar, mas beleza. Fomos nos comunicando durante aa viagem e tudo deu certo. Fui recepcionado com um autêntico jantar calabrês (ela é calabresa) e falamos muito sobre músia brasileira. Imaginem que ela adora o Brasil a ponto de ter um enorme mapa geográfico brasileiro na sala de sua casa.
No sábado rodamos por Trieste, uma bela cidade à beira-mar, com muitíssima história para contar, especialmente por ser uma cidade de fronteira. Dominações celta, romana,, austríaca e de novo italiana, guerras ferozes, mas também grandes nomes da literatura da primeira metade do século XX marcam a vida da cidade.
Durante a tarde tomamos um punch fortíssimo em um café-bar e fomos a uma festa de aniversário da filha de uma amiga da Fra que completava um ano de idade (a filha!). Claro que aproveitei para encher o bucho, pois não tinhamos almoçado ainda e, em função desta festinha, acabamos nem jantando.
No dia seguinte decidimos ir para Lubiana, capital da Eslovênia, passear e almoçar por lá. Ficamos apenas por 2 horas na cidade tendo em vista que meu trem para Milão partiria às 16:30 de Trieste. Mas deu para conhecer um pouco da cidade e ter certeza de que quero voltar lá durante o verão ou a primavera para um haappy hour noturno em algum dos barzinhos à beira do rio que cruza a cidade. Além disso, experimentei uma especiaria eslovena muito boa, mas que não lembro o nome. Em verdade eu nem sei o nome porque depois que a Francesca o repetiu 3 vezes eu respondi meu tradicional "beleza" e deixei quieto.Um final de semana meio corrido, mas bárbaro! Ainda tenho muito a conheceer de Trieste e da Eslovênia também, de modo que devo voltar lá, mas desta vez com o grande e único Big Bimba, para curtirmos juntos, pois desta vez ele não pôde ir.

Ano Novo em Paris

29.12.2006 a 01.01.2007

Conforme previamente combinado desde outubro, fomos eu, o Big Bimba e o Son encontrar Bambina, sua irmã, Donata e toda uma galera indócil em Paris para o ano novo. O grande Cauê já estava lá desde o dia 23 e iría se juntar a nós no dia 30, como de fato aconteceu. Dormimos na casa de minha amiga francesa Claire, que conheci em Genova durante minhas visitas à Bambina quando ela morava lá. Ficamos num quarto eu, Big Bimba, Son, Cauê e Laura, uma amiga italiana que também conheci em Genova.
Logo que chegamos fomos diretamente à Praça da catedral de Notre-Dame encontrar todo o pessoal que já se concentrava para a baladinha da noite. Fomos com mala e tudo e, chegando lá, nos deparamos com a bela catedral, com uma bela árvore de natal á sua frente e um bando de malucos bêbados, cada um falando uma língua diferente, sendo que muias destas pessoas haviam sido agregadas ao grupo naquele mesmo momento. Tinha até mesmo um indigente francês comemorando conosco que não fazia outra coisa que não procurar bebida. Era incrível como ele circulava entre as bolsas, carteiras, mochilas, máquinas fotográficas e nada disso o interessava, pois ele só pegava em mãos as garrafas de vinho para conferir se ainda tinham alguma gota da bebida. Após muitas saudações, vinho, fotos, risadas, pegamos o metrô para ir a uma baladinha até então desconhecida de quase todos. A única informação que tínhamos é que não se pagava para entrar e, por isso mesmo, seguimos a carruagem. Fizemos uma zona terrível no metrô de Paris, entrando pela saída das catracas e dando de beber para os outros pasageiros. Um de nossos companheiros, o namorado da Gaby Agustini, havia defecado nas calças quando ainda estávamos na praça da Notre-Dame e assim permaneceu durante toda a noite, o que o impossibilitou de se sentar no metrô e na baladinha. Isso sem contar que ele havia sumido por um bom tempo para tentar encontrar um banheiro e somente reapareceeu quando a bomba explodiu e nada mais havia a se fazer.
A baladinha realmente era gratuita e no melhor esquema tuf-tuf na orelha, com sofás por todas os lados e banheiro repleto de recortes de jornais colados e versos inteligentes escritos nas paredes. Tomamos umas brejas, trocamos idéia, dançamos um pouco e, num momento bárbaro, quando estávamos eu, o Big e o Son próximos ao bar, uma moça francesa deixou seu namorado de lado e veio nos pedir para fazer uma foto conosco. Até aí tudo bem, já estou acostumado, vida de artista e tal... mas o estranho é que ela não tinha máquina fotográfica e nem pediu para mandarmos a foto por e-mail. Tiramos a foto com a nossa máquina e ela voltou feliz para o namorado. Beleza. Vontamos para casa lá pelas 6 da manhã e capotamos. Lembro a todos que ainda não havíamos deixado as mochilas e demais petrechos de viagem em casa, pois do aeroporto fomos pra praça e da praça, para a baladinha.
Acordamos, tomamos banho e, como já era hora do almoço, fomos no McDonalds mesmo para sermos rápidos e sairmos logo de rolê pela cidade. Após o rango, fomos conhecer o Arco do Triunfo e a Torre Eiffel, fazendo todo o caminho a pé, desde a Esplanada de La Défense. Isso deu caminhada para toda a tarde. Quando anoiteceu, estávamos próximos à Torre e pudemmos presenciar o espetacular show de luzes que fizeram em toda a grande Eiffel. Logo após passamos em um supermercado e preparamos uma refeição noturna do jeitinho do nosso paladar e comemos em um banco de praça aos pés da Eiffel. Estava fazendo um baita frio e ventando bastante, mas nosso espírito indomável não nos abandonou!
Durante a noite a Claire decidiu chamar todos para irem na casa dela comer alguma coisa e descansarmos mais cedo. Cada um levou comes e bebes e ficamos curtindo momentos, dóceis desta vez, na casa da Claire.
Dia seguinte, acordamos e fomos novaamente circular pela cidade, desta vez pela Catedral de Notre-Dame, pelo Louvre, Praça de la Concorde e toda a região próxima a estes lugares.
Para a virada do ano já estava tudo preparado numa das festinhas mais alucinantes que já estive num prédio de 3 andares superiores e um subterrâneo no centro de Paris, onde durante os dias normais funciona uma espécie de atelier de arte. Para entrar bastava pagar 5 euros e levar alguma comida e alguma bebida. Mas não era uma festa divulgada pelos meios de comunicação de massa, mas somente entre amigos, no famoso boca-a-boca. Havia pessoas de todo o mundo, bebidas e comidas de toda sorte e uma atmmosfera de indocilidade que mais tarde se revelaria constante, geral e irrestrita.
Nos minutos iniciais da festa, com as pessoas ainda sóbrias, deparamo-nos com nosso grande amigo Datena, que passou o ano novo 2005\2006 conosco em Milão. Sabia que ele morava em Paris, mas não tive tempo de contatá-lo e pensei que não mais iria revê-lo. mas por obra do destino, nos encontramos por acaso nesta festa! Grande Datena, que depois que aprendeu a falar "Auguri", não diz outra coisa nas comemorações de ano novo!
Cada andar da festa tinha um som diferente que era escolhido pelos próprios convidados. Bastava levar um CD e colocar para tocar. No andar subterrâneo rolava um jazz ao vivo para a galera mais viajada, no andar térreo rolava quase sempre um Michael Jackson das antigas, quando ele ainda tinha nariz de verdade, e nos outros andares.....não me lembro, mas certamente deveria ser Jordy ou essas coisas francesas.
O mais bárbaro é que cada um falava uma língua, mas pelo espírito de paz, fé, esperança, luz e união que permeia o ano novo, todos se entendiam perfeitamente! Assim, eu via o Big falando italiano com uma mina francesa que só sabia falar alemão e os dois se divertiam. Numa outra ocasião ele ficou tentando xavecar uma mina em todas as línguas quando, ao final, descobriu que ela era brasileira! Eu encontrava umas pessoas estranhas e falava inglès. Quando me respondiam em francês, eu mudava pro italiano e a pessoa mudava pro inglês, momento no qual eu mudava para o português e ela para o espanhol. Mas no final tudo acabava magicamente bem! Vou dizer que conheci a festa toda, mas não sabia o nome de ninguém nem que língua falava. A mais bárbara que conheci foi uma mocinha alemã que curtia death metal! Estávamos combinando de irmos juntos ao Wacken Open Air deste ano, mas esquecemos de trocar telefones, e-mails e até mesmo nomes...
A mistura vinho/vodka/whisky/malibu/cerveja/champagne/água era a bebida da noite. Aliás, eu sabia que não deveria ter tomado aquela água no final...
Aliás, não entrarei em muitos detalhes sobre a festa, pois a Lei do Silêncio deve prevalecer. Quem foi, foi. Quem não foi, veja as fotos e deduza os acontecimentos mais bárbaros da festa!
Só sei que desde meus tempos de festas da universidade, carnavais no interior de Minas Gerais, e coisas do naipe que não me divertia tanto. Um excelente ano novo que vai ficar para a história.
Paris é uma cidade maravilhosa e os franceses não são antipáticos como todos dizem. Ao menos foi essa a impressão que durante estes 3 dias em que estive em Paris. Mesmo quando fui a Marselha (sul da França) não fui tratado mal por nenhum francês, mesmo sem falar quase nada da língua deles. Do contrário!
Para completar a viagem, o Son conseguiu um fhlempsz para o fim da noite de ano novo e foi dormir na casa da presepêra. O combinado era nos encontrar no dia seguinte diretamente no aeroporto Charles-de-Gaulle às 2 horas da tarde. O próprio Son repetiu dezenas de vezes o nome do aeroporto e a hora do encontro para não esquecer e acabar ficando em Paris. Pois bem, voltamos para a Itália somente eu e o Big Bimba, pois embarcamos às 15 horas e nada de Son aparecer! O pior é que ele havia deixado o celular conosco, na mala dele! No final, ele pegou um ônibus e demorou quase um dia para volttar á Milão. Grande Son!Ano novo inesquecível e espero que a cada ano seja melhor! Aliás, no próximo ano terei férias neste período se tudo der certo no Consulado, de modo que provavelmente esteja no Brasil!!

Casa Nova e Natal

11 a 26.12.2006

Depois de uma mudança rápida e até mesmo um pouco tumultuada, seja em função da ausência do Emerson para ajudar, seja pelo fato de meu irmão estar vindo de Vicenza, mudamos para a nova casa, mais próxima ao centro de Milão, do Duomo, do Consulado, o que é uma boa vantagem, apesar dela ser um pouco menor do que a anterior. Mais uma vez, depois de mais de um ano, voltamos, eu e meu irmão, a morar com o Salvatore, como nos velhos tempo de Via Brioschi, nossa primeira moradia na Itália.
É certo que, cedo ou tarde devemos dar um passo maior e tentar dar entrada em um imóvel nosso e, em vez de ficar todo mês dando dinheiro para nada, pagamos o financiamento. Se renovarem meu contrato no Consulado em fevereiro por um período longo, talvez consigamos o empréstimo e esta hipótese pode se tornar realidade. Mas ainda temos chão pela frente.
Como sempre, o Salvatore teve bom gosto em decorar a casa e tudo já estava pronto quando chegamos na nova casa. No entanto, a disposição dos móveis, apesar de bela, não era prática e certo dia, quando a Elena veio me visitar, mudamos tudo e todas as alterações foram aprovadas pelos outros moradores.
Logo de início constatei que não há senhoras de idade avançada morando no mesmo pequeno edifício de 3 andares aonde moramos e que os vizinhos são tranquilos e jamais reclamarão do barulho, pois o vizinho de cima tem crianças que pulam como cangurus, o outro vizinho toca piano e os demais são jovens e vira-e-mexe estão curtindo um som em volume relativamente alto. Sussa...
Para inauguração da casa nada melhor do que um grande encontro natalino entre amigos. Organizei o famoso amigo-secreto de natal e, entre medrosos que não queriam cadastrar o CPF no site www.amigosecreto.com.br e pessoas de espírito indomável, éramos em 11 pessoas. Cada um trouxe algo para comer e beber, nossa amiga Vanessa veio com o pequenino samurai ítalo-brasileiro Matteo e conseguimos ter um natal alegre mesmo estando todos longe da família e das raízes. Tinha um pouco de tudo: de frango, verduras, macarrão, arroz, comida japonesa, amendoin, vinho, suco, champagne. Trocamos os presentes, comemos e bebemos bastante, escutamos música, conversamos e por volta das 3 horas da manhã todos foram embora, exceto o grande Jampa que acabou dormindo aqui em casa, no sofá-cama da sala. O único ponto negativo foi a ausência injustificada e não anunciada de uma moça, amiga do Emerson, que entrou na turma há pouco tempo e, depois dessa palhaçada, já saiu! Mas no final tudo acabou bem e eu ganhei o último CD do Steel Pulse, African Holocaust, aproveitando para fazer um pouco de inveja à minha irmã. A casa resistiu bem ao evento e está pronta para os próximos eventos!O Son partirá para o Brasil no início de janeiro e não morará mais conosco, pois decidiu fazer a vida em Londres. O Big já tomou seu lugar na casa e é muito bom poder morar de novo com meu irmão, mesmo porque nos damos muito bem na convivência e sabemos respeitar perfeitamente um o espaço do outro.

Tuesday, December 12, 2006

Batebalengo 2006

08, 09 e 10.12.2006

Batebalengo é o nome dado a um encontro nacional das escolas de samba da Itália, em função de a organização ter ficado por conta da escola Balengo, sediada em La Spezia (Liguria), local aonde se deu o encontro deste ano.
Escolas de todos os cantos da Itália, num total de 12, encontraram-se durante estes 3 dias para um seminário de percussão, trocas de experiências, contatos e para realizar um grande desfile pela cidade. Assim, não poderíamos faltar a este importante evento com nosso G.R.E.S. Feliz da Vida!
Chegamos, eu, Roby, Andrea Branquinho e sua namorada, Linda, no início da tarde de sexta-feira (08.12), fizemos nosso cadastro, pegamos nossas camisetas do Batebalengo, organizamos os instrumentos na grande sala de ensaios disponibilizada pela prefeitura de La Spezia, conhecemos algumas pessoas e fomos comer algo, antes do início do seminário.
O seminário começou às 12 horas e terminou somente por volta das 20:30 horas, com uma breve pausa para almoço. Importante ressaltar que durante todo o dia tínhamos à nossa disposição vinho e pão, suficientes para os 3 dias. Findo o seminário de sexta-feira, fomos verificar nossas acomodações que neste primeiro dia seriam numa academia de jiu-jitsu sobre o tatame. As escolas de samba foram divididas pela cidade entre escolas, academias e outros diversos tipos de acomodações nada confortáveis, mas funcionais. Uma vez acomodados, fizemos um pequeno "esquenta" e fomos procurar alguma baladinha. Ficamos até as 4 da manhã num bar meio tosco, no meio do nada, ao som de rock dos anos 60, ACDC e Ramones. O DJ não sabia que avia um encontro de escolas de samba e talvez tenha sido até melhor assim, para evitar a overdose de batuque. Claro que ficamos todos bêbados e tivemos conversas bárbaras e vivemos situações surreais. Imaginem que entre todas estas 250 pessoas existiam somente 6 ou 7 brasileiros, sendo dois deles eu e o Cau, único negro em La Spezia, líder do Mitoka Samba, outra escola de Milão, uma das mais antigas. Durante um papo com Cau, enquanto ele me contava sobre sua amizade com Luiz Melodia e Itamar Assumpção, dizia-me repetidamente que eu tinha voz, atitude, presença de palco e pensamento negros e, portanto, eu era irmão, negão e que deveríamos nos unir para dominar o mundo do samba italiano. Eu falei para ele: "Beleza!" e no dia seguinte ele nem lembrava dessa conversa.
Dormimos ao som ritmado de roncos com sotaques de toda Itália, de Nápoli a Trieste, de Bologna a Torino, de Milão a Florença, sendo que no estado de relaxamento em que me encontrava, dormi tranquilo. Mas pelos comentários do pessoal, os organizadores conseguiram colocar todos os roncadores das escolas de samba juntos no nosso dormitório.
Acordamos por volta das 10 horas, fizemos um café-da-manhã e fomos novamente para a sala de ensaio, aonde tocamos das 13 às 19 horas. Tomamos uma ducha e nos reunimos, todas os grupos, na Piazza Verdi, às 21 horas, de onde partiu o grande desfile. Com 12 escolas de samba presentes, fizemos uma bateria com 250 pessoas, o que foi uma experiência incrível para quem está habituado a tocar com 10 ou 15 pessoas. Pelas expressões faciais e pelo espanto dos moradores de La Spezia concluo que conseguimos impressionar e fazer um bom espetáculo, ainda que não tenhamos ficado satisfeitos com o resultado. Essa sensação foi geral entre as escolas de samba, pois a acústica das ruas, becos, avenidas, galerias por onde passávamos mudava constantemente, o que atrapalhava bastante a harmonia geral, ainda mais levando-se em conta a distância entre os primeiros e os últimos ritmistas do bloco. Realmente houve momentos em que o caos sonoro foi generalizado e eu nem sabia o que estava fazendo com o ganzá. Mas felizmente o resultado final foi bom.
Findo o desfile, após 2 horas tocando sem parar (isso depois de ter ensaiado todo o dia), fomos comer alguma coisa e encontrar alguma baladinha tosca para se divertir e fazer amizades fáceis. Paramos em uma espécie de bar-pub-discotequinha com música dos anos 80. Não era tudo, mas era 100%. Curtimos até a polícia nos pedir para ir embora, pois a lei na Itália permite os lugares ficarem abertos até as 2 horas e já eram 4:30 horas! Bárbaro! Fomos para nossa nova acomodação que era uma escola pública aonde, desta vez, os organizadores conseguiram juntar todas as pessoas dotadas do mais poderoso chulé e do mais rigoroso cecê. Bom, eu estava vinicolizado e dormi rapidamente. Mas teve gente que sofreu.
Acordamos por volta das 10 horas com os napolitanos da escola de samba Maracatudo, que são simpaticíssimos, animadissimos e engraçadíssimos, fazendo uma bagunça mágica. Tomamos um café-da-manhã e fomos para a reunião dos diretores das escolas para discutir sobre o evento e sobre a criação de uma confederação das escolas de samba da Itália. Após a reunião fomos almoçar antes de nos concentrarmos em diversas praças da cidade para tocarmos. Cada duas escolas de samba reuniram-se em um canto da cidade e desfilavam até a praça central aonde todas as escolas se encontraram para finalizar o evento. Uma vez reunidas, cada escola se apresentou isoladamente por 5 minutos e, ao final, todos tocamos juntos novamente causando grande euforia em todos presentes.Foi realmente um evento excepcional no qual fiz inúmeras amizades de todos os cantos da Itália, me diverti muito com meus amigos do Feliz da Vida e desenvolvi em mim uma vontade ainda maior de tocar de fazer crescer a escola de samba e todo este movimento brasileiro na Itália que, como falavávamos eu e Cau, está num momento único, sofrendo um fenômeno jamais visto antes. É realmente emocionante e compensador estar no meio de 250 pessoas, na Itália, e pensar que todos eles estão louvando e reverenciando a minha cultura, não por política ou interesse finaceiro, mas por amor ao ritmo e pela alegria brasileira que é única no mundo. Por diversas vezes eu olhava ao meu redor, pensava nisso, me dava conta de que era um dos únicos brasileiros no meio daquelas 250 pessoas, que todos me haviam recebido de braços abertos, e isso realmente me emocionava. E ainda me emociono ao lembrar... Excelente!

Iron Maiden

03.12.2006

O que dizer da maior banda de heavy metal que existe e não perde o posto por décadas? É certo que se analisarmos a evolução musical do Maiden nos últimos álbuns (Dance of Death, Brave New World), excluindo-se a fase "Blaze Bailey" que realmente foi um desvio estranho de rota na sua carreira, verificamos que ela é bem menor em termos de novidade, inspiração e criatividade em relação à incrível fase The Number of the Beast/Piece of Mind/Powerslave/Seventh Son of a Seventh Son/Somewhere in Time, uma sequência insuperável de clássicos e pérolas do metal mundial. Mas Iron Maiden é sempre Iron Maiden, principalmente após o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith, quando as composições voltaram a ter um nível elevado de riffs, melodias, letras e a química Maideniana voltou a funcionar. Esse resultado se verifica, ainda que escala ainda bem menor em relação aos chamados "Wasted Years" (1980 - 1992), no novo disco da banda, A Matter of Life and Death.
Mesmo tendo ido ao show do Maiden no Gods of Metal do ano passado, em Bolonha, não deixaria de ir a este show em Milão por nada! Havia comprado o ingresso em junho para garantir minha presença!
Os meios públicos aqui em Milão não são tão frequentes aos domingos, de modo que resolvi ir a pé para o show. Levei uma hora e meia caminhando, mas bem acompanhado de meu CDPlayer, ao som de Vader, Behemoth e, claro, Iron Maiden.
Cheguei ao local e me deparei com um DatchForum lotado, abarrotado e pela primeira vez não consegui ficar tão perto do palco para curtir o show, mas mesmo assim peguei um bom lugar. Como era esperado, começaram com a música de abertura do novo álbum, Different World. Seguiram com These Colours Don't Run, Brighter Than a Thousand Suns, Out of the Shadows, The Longest Day, The Pilgrim, The Reincarnation of Benjamin Breeg, a excelente For The Greater Good of God, Lord of the Light e The Legacy. Ou seja, resolveram tocar o disco novo de cabo à rabo, para delírio daqueles que o conhecem e para o desânimo daqueles que não conhecem A Matter of Life and Death. O som estava perfeito e fiquei mais uma vez impressionado com as luzes, a produção e toda a tecnologia que eles dispõem para o espetáculo. Tudo, absolutamente tudo é computadorizado, do jogo de luzes à troca de panos de fundo, da ligação dos instrumentos (todos sem cabos, o que deixa o palco livre e limpo) aos efeitos de samplers e, como não poderia faltar, o grande Eddie, que desta vez apareceu em duas versões: saindo de um gigantesco tanque de guerra com um binóculo e caminhando pelo palco com roupa de soldado e um fuzil na mão, tudo de acordo com o tema do novo trabalho.
Tendo tocado por completo o novo disco sobrou pouco tempo para as canções antigas que acabaram sendo somente seis: Fear of the Dark (impressionante introdução cantada em uníssono ensurdecedor!), 2 Minutes to Midnight, Iron Maiden, The Trooper, The Evil That Men Do (perfeita!) e Hallowed Be Thy Name.
Certo que poderiam ter tocado muitas outras canções antigas em detrimento de algumas novas, mas não deixa de ser interessante e até inesperado um concerto feito desta maneira, até mesmo porque após a turnê do No Prayer for the Dying os shows do Maiden estavam ficando um pouco óbvios, com 4 ou 5 canções novas e as antigas que se repetiam sempre entre as clássicas.
Tudo bem que ainda sonho com um show deles só com músicas que nunca tocam em shows, aquelas inimagináveis ao vivo, como por exemplo, Alexander the Great, Infinite Dreams, Where Eagles Dare (essa eu ouvi ano passado! hehe), Purgatory, Judas Be My Guide, entre outras.Mas, como agora vivo na Europa, é Iron Maiden praticamente todo ano!! Yeaaaaahhhh!

Festa Sado-Masoquista

01.12.2006

Como já aconteceu outras vezes, fui convidado para trabalhar como segurança numa festa privada em um casarão antigo na região De Angeli aqui em Milão. Estávamos eu e meus parceiros senegaleses Sherif, Álamo, Assi e Mustafá cuidando da segurança no local, prezando pela integridade física dos convidados.A festa começaria às 23 horas, mas às 22:30 horas já havia um aglomerado de cerca de 20 pessoas em frente ao portão, todos visualmente do sexo masculino, mas de aparência homossexual. Até aí, tudo bem, poderia ser uma festa GLS. Pouco depois das 23 horas começaram a chegar pessoas com fantasias incríveis, maquiagens fantásticas e estilos que fariam inveja à Marilin Manson e a todos os cyberpunks anticristo do mundo! Roupas de couro com chicotes, correntes, lentes de contato demoníacas e toda sorte de petrechos usados por senhores de escravos e torturadores. Realmente aquilo me chamou a atenção, mas como eu fazia a segurança na parte externa da festa, do portão de entrada até a porta principal, não notei nada de anormal. Eis que num belo momento Sherif vem de dentro da casa rindo e dizendo ter medo de voltar lá dentro porque parecia que a época da escravidão estava voltando! Disse-me: "Fratello, fai un giro dentro e poi dimmi cosa pensi. Minchia, é roba da fare paura!". Curioso, deixei Sherif no meu lugar e fui dar um rolê ao interno da casa e me deparei com coisas antes vistas somente em filminhos trash da SextaSexy: velhos barrigudos pelados e sendo chicoteadoss por belissimas mulheres com roupas de couro, homens engatinhando e sendo puxados por uma coleira, pessoas que beijavam os pés e lambiam as botas de couro alheias, cenas de sexo oral, chicoteadas e correnteadas por todos os lados, espetáculos sado-masoquistas em gaiolas de aço, mulheres semi-nuas que se beijavam, rapazes que se esfregavam sozinhos nas cortinas, filas nos banheiros para dar um "flhempsz" etc. Bárbaro, literalmente bárbaro! De tempos em tempos eu devia rodar pela festa para ver se não haviam brigas e se ninguém fumava ao interno da casa, no que me veio uma questão que levei de imediato ao nosso corpo de segurança: "Rapazes, se houvesse alguma briga nessa festa e devêssemos usar a força bruta para resolver o problema, certamente estaríamos gerando um outro problema, uma vez que todos os convidados gostam de tomar porrada! O que faremos nesse caso? Carinho?". Ficamos sem uma resposta até o final da festa. Menos mal que todos os convidados, apesar dos pesares eram educadíssimos, nos respeitavam e não tivemos nenhum problema. O mais interessante disso tudo é que os convidados não seguiam um estilo, tendo de jovens e senhores, gordos e magros, músicos e empresários, playboys e metaleiros, católicos e muçulmanos, unidos pelo prazer sado-masoquista numa festa privada, longe do pudor público e dos olhos da decência social, sem fazer mal a ninguém, só curtindo seus dias. Não que eu goste deste mundo, mas respeito enquanto ele me respeitar. Mais um capítulo interessante nas minhas Bimbadas pela Europa!

Orumilá Zumbi

19 a 26.11.2006

Toda a agenda do IBRIT durante o mês de novembro é voltada à influência dos africanos na cultura brasileira, com eventos, encontros, debates, seminários e palestras sobre os mais diversos assuntos relacionados ao tema. Em razão disso essa manifestação chama-se Orumilá Zumbi. A propósito, a festa Zum Zum Brasil foi uma das manifestações em conjunto com o IBRIT para o Orumilá Zumbi.
Estive presente a seminários sobre Candomblé, sobre a influência da língua africana no português brasileiro, sobre capoeira, entre outras.
Mas o ponto alto foi o já tradicional desfile das escolas de samba de Milão (Feliz da Vida e Mitoka Samba) com a academia de capoeira do Mestre Baixinho pelas ruas centrais de Milão. Começamos na Piazza dei Mercanti e terminamos na Piazza San Babila, passando pela Duomo. Na linha de frente vai o pessoal da capoeira, tocando e jogando, seguidos pelo Mitoka Samba e por fim, nós do Feliz da Vida. Durante o percurso inúmeros turistas fazem fotos, dançam juntos de nós e se aglomeram para ver o desfile, que durou cerca de 2 horas.
No dia 22 fomos eu e o Son a um pub na região de Porta Romana para comemorar o aniversário da Ja, quando reencontramos os novos amigos que eu havia feito no Ponto de Encontro do IBRIT. Ficamos pouco tempo, mas demos umas risadas, nos divertimos e estivemos com a Já, que está sem sua família na Itália, no dia de seu aniversário. São nestas ocasiões que conseguimos rever os amigos e estreitar mais os laços afetuosos, ainda que o encontro dure meia hora. Por isso, mesmo embaixo de neve e sem dinheiro eu faço uma força para estar presente em happy hours e encontros de toda sorte.Finalizamos bem o mês de novembro, dedicado a Orumilá Zumbi, com uma bela feijoada no restaurante da Marli, amiga nossa brasileira. Fomos eu, o Son, Emerson Caneli, o grande casal Vanessa e Alessandro com o pequeno samurai Matteo e o irmão de Alessandro, Marco. Lá fizemos novas amizades com o rapaz que mora com o Emerson, Marcos, uma brasilera Thais, a romena Arina e reencontramos amigos do Ponto de Encontro do IBRIT. Do jeitinho do meu paladar!

Zum Zum Brasil

18.11.2006

Zum Zum Brasil foi o nome escolhido para a 6ª festa do Clube do Balanço, realizada no Centro Social Zona Colore, local menor que a Fabbrica del Vapore e um pouco maior que o Barrios. A fórmula usada foi a mesma de todas as outras festas: DJ, Ovelhas e Feliz da Vida. Em verdade, como eu havia chegado do Brasil na metade de outubro não queria me apresentar com os Ovelhas porque não tínhamos ensaiado bem e o Raul, que seria o guitarrista, deu para trás na última hora porque não iria receber para tocar na festa. Não posso condená-lo porque este é seu trabalho e com certeza ele recebeu uma proposta melhor para um sábado à noite. Somente com Macaquinho no baixo e não tendo ainda ensaiado com o Roby na percussão não me sentia seguro para tocar. Mas ainda assim eles me convenceram a fazer algo bem acústico para preencher mais a festa.
Como sempre, tivemos qualquer problema com o som. O Big Bimba não ficou de técnico de som dos Ovelhas porque um dos caras que trabalha no Zona Colore disse para não nos preocuparmos porque ele estaria na mesa de som durante toda a apresentação. O problema é que o babaca também era o caixa para as bebidas e nunca estava na mesa de som. Claro que nestes momentos meu microfone não funcionou, o baixo do Macaquinho deu problema e tudo o mais. De qualquer jeito, tocamos, nos divertimos e fizemos nossa parte. Sinceramente não fiquei muito feliz com o resultado, seja pelo repertório escolhido (também por mim) seja pelo nosso desempenho. Vejamos o que será dos Ovelhas, uma vez que o Macaco vai embora para Londres e ficaremos somente eu e o Roby.
Mas com o Feliz da Vida foi diferente, pois, ainda que o babaca do som não estivesse presente quando precisei do microfone para cantar, fizemos uma apresentação exemplar! Contamos com a ajuda de 5 pessoas da escola de samba de Roma que vieram nos visitar e participar de um workshop de percussão com o grande Marcos, diretor da escola de Roma. Além disso, participou do show conosco Tae, um rapaz que toca percussão, violão, sanfona e trompete. Somando todos estes fatores à chegada do idiota responsável pelo som para ligar o microfone, fizemos um sambão que colocou os 350 presentes em total euforia! Realmente, com a escola de samba, fizemos um belo espetáculo.
Vieram para a festa, além dos irmãos Ricardo e Topázio, minha amiga Ja, toda uma nova galera brasileira que conhecemos nos últimos tempos e os novos amigos Jean e Boogaloo, gente boníssimas que meu irmão trouxe de Vicenza. A festa acabou por volta das 3:00 horas da manhã, voltamos a pé para casa, sendo que o Big, Jean e Boogaloo pegaram o trem para Vicenza às 7:00 horas!Foi uma bela festa, nos divertimos bastante, mas sinceramente não fiquei muito contente com o, digamos, conjunto da obra. Ainda temos muito a melhorar e devemos trabalhar com mais afã e com mais tempo para a próxima festa. Mas certamente faremos algo bem divertido e organizado!

Monday, December 11, 2006

Cauê e IBRIT

05 a 17.11.2006

Um grande amigo do Dan (tecladista) havia combinado com o mesmo uma viagem pela Itália por uma semana durante o mês de novembro. Ocorre que o Dan conseguiu uma passagem baratíssima para o Brasil e não estava em Milão para receber este amigo, de nome Cauê. Como minha casa é como coração de mãe e gosto sempre de fazer novas amizades e ajudar as pessoas, recebi o cauê de braços abertos e fiz um belo roteiro de viagem a ele, uma vez que não poderia acompanhá-lo em função do meu trabalho no Consulado. Ele ficou dois dias em casa, fez um passeio por Pisa, Lucca, Cinque Terre, Firenze, Venezia e depois retornou a Milão, dormindo em casa por mais um dia. Aproveitei para mostrar-lhe os principais pontos turísticos de Milão e ainda fazer planos para visitá-lo na Alemanhá, pois ele esta fazendo um estágio em uma empresa alemã e deve ficar por lá até junho de 2007. Mas como não escreverei mais sobre meus planos, mas tão-somente sobre minhas realizações, vejamos se no futuro haverá um título "Alemanha" aqui no Bimbando. Preciso ainda visitar amigos que estão em Londres, minha afilhada sueca em Estocolmo, minha amiga Lenka em Praga e por aí vai...
Aliás, fui sorteado no Consulado para ter uma semana de férias em agosto, uma época concorridíssima pois é verão na Europa e também na ..... Jamaica! Fica a dica aí, irmãzinha amada!
Mudando de assunto, no dia 17 rolou o encontro mensal de brasileiros e italianos no IBRIT (Instituto Cultural Brasil-Itália), denominado Ponto de Encontro, aonde se faz novas amizades, contatos de trabalho, come-se e bebe-se e, ao final, sempre tem alguém para animar a festa com um sonzinho ao vivo. Nesta edição este alguém fui eu! Fiz um acústico voz e violão e ficamos no IBRIT até as 23:00 horas, algo inédito para os italianos num domingo à noite e com um frio de 7 graus Celsius. Fiz muitas amizades neste Ponto de Encontro, em especial com a Jah (alagoana), Gollum (paulistana), Alberto, Marco e MC Fluido (italianos), além de outros fãs.

Sunday, November 05, 2006

De Volta à Italia

16.10 a 04.11.2006

De volta à Itália e tudo entrando nos trilhos novamente. Logo de início, antes mesmo de eu ir até o Hotel verificar se eles ainda lembravam de mim e se haveria trabalho para um rapaz que simplesmente se mandou por um mês e meio, ligou-me a Ana Maria, responsável pelo departamento pessoal do Hotel Viconti Palace querendo saber se eu já tinha voltado do Brasil, pois eles estavam me esperando ansiosos. Assim, já estava empregado de novo.
No entanto, eu pensava em ir até o Consulado Brasileiro ver se eles não precisavam de pessoal para trabalhar, pois preciso largar essa vida de trabalhos temporários e aos finais de semana. Um ano e meio de Itália é suficiente para começar a pensar um pouco mais além, em um futuro mais sólido. Estranhamente, da mesma forma como aconteceu com o Hotel, antes mesmo de eu ir ao Consulado, ligou-me a responsável pelo departamento pessoal do Consulado perguntando se eu estaria disposto a trabalhar com eles, disponível para início imediato. Claro que aceitei e comecei a trabalhar no dia 03 de novembro, de segunda a sexta-feira, das 8 às 14:30 horas. Passei no Hotel e expliquei minha situação a o responsável que entendeu absolutamente e, para não ser descortês ou parecer ingrato, disse estar ainda disponível para finais de semana se eles precisarem. Isso me ajuda também a fazer uma graninha extra.
Tudo certo com o trabalho, vamos à casa. O Salvatore realmente vendeu o apartamento e nã conseguiu a transferência para a Sicília, de modo que o Dan e a Mel tiveram que encontrar outro lugar para morar, a Luz já tinha ido embora faz tempo e eu e o Emerson devemos nos mudar para o novo apartamento do Salvatore, junto com ele, no início de dezembro. Como o Son vai embora para Londres em janeiro, quem vem morar comigo em seu lugar é o único, grande e insuperável Big Bimba! Sim, meu irmão deixará a região do Veneto após a conclusão de seu curso de Sommelier e vem à Lombardia fazer a vida comigo. Será muito bom tê-lo como companhia e fazer companhia a ele!
Quanto aos Ovelhas, de fato o Neto saiu da banda e em seu lugar entrou o Raul, amigo nosso de pouca data, mas competente e sossegado. Faremos, se tudo der certo, nossa primeira apresentação na próxima festa do Clube do Balanço, a se realizar no dia 18 de novembro no Centro Sociale Colore.Trabalho, moradia, banda, tudo nos eixos. Mas falta um aspecto a definir: o psicomulherio. mas deixemos isso de lado por um bom tempo, pois como já dizia o sábio: "Sorte no trabalho, azar no amor". Prefiro, por ora, continuar com sorte no trabalho, em viagens, amizades e em todos os outros campos, ainda que isso seja em detrimento do âmbito psicomulherio, pois existem coisas inexplicáveis neste setor da fenomenologia humana inersubjetiva, de modo que, para evitar a loucura, prefiro destacar-me por uns tempos desta área. As mulheres que me desculpem, mas vocês são seres fêmeas do sexo feminino e a maior parte de vocês ainda representa a maioria, por isso vocês fazem o que fazem com os homens. Ficarão de molho por um tempo! E tenho dito!

Brasil

01.09 a 15.10.2006

Finalmente, após um ano e meio no velho continente, volto ao meu amado país, à minha família, aos meus amigos, à minha cultura!
E essa viagem ao Brasil não poderia ter sido melhor, em todos os aspectos. Um mês e meio revendo amigos, curtindo minha família, minha casa e aproveitando bastante a música brasileira.
Logo no dia seguinte à minha chegada fomos, eu e minha irmã, no Parque Ibirapuera assistir a um show gratuito do Lenine com a Vanessa da Mata, sob um sol escaldante que só se encontra no Brasil. Esse foi só o pontapé inicial para uma sequência incrível de shows: Mundo Livre S\A lançando seu trabalho Bebadogroove, uma super jam session com Jards Macalé, Luiz Melodia, Orquídeas do Brasil e Lanny Gordin, o grande encontro do filho com o sobrinho do grande Tim Maia, Léo Maia e Ed Motta, pai e filho dividindo o mesmo palco, Caetano e Moreno Veloso, o dueto acústico dos espetaculares Zeca Baleiro e Rita Ribeiro, Pedro Mariano e o peculiaríssimo Otto. Isso sem mencionar os três shows da melhor banda de rock n' roll na atualidade em âmbito mundial: King Bird. O primeiro e inesquecível show foi no Canecão (RJ) durante o Rock in Concert Festival, no qual abriram para o Uriah Heep. Ficamos no camarim do lado dos caras do Uriah, todos muito simpáticos e divertidos. O King fez um show excepcional e agradou muito o público carioca! O segundo show do King neste mês e meio foi no Blackmore Rock Bar na comemoração do aniversário da chamada Dama do Rock. Nem lembro o nome dela, mas beleza. Fomos eu e a grande e única Simone Novaes (Symon!), cantora e compositora que, nas horas vagas, trabalha como apresentadora na AcNielsen junto com minha irmã. Nos divertimos bastante! O terceiro show com o King Bird foi no casamento do meu irmão de coração Silvio Lopes, guitarrista e compositor principal do KB. Sim! Eles tocaram Beatles, Joe Satriani e, claro, King Bird, sob os olhares incrédulos de muitos convidados da cerimônia, principalmente orientais da família da Bianca Higa, esposa do Silvião. Excelente escutar Old Jack e Don't Be Late em uma festa de casamento! Ressalte-se que o Silvio e a Bianca entraram no salão ao som de Jump do Van Halen! Excelente!
Aliás, o casamento foi uma boa ocasião para encontrar velhos amigos da Claro, além do grande Hélio (amigo em comum com o Silvião e que mora em Londres) e de ter colocado o papo em dia com meu irmãozão Caio Gasparini, pois fomos juntos ao casamento.
Um show também inesquecível foi com meus amigos do Tomada durante o Festival Rock in Camping, na represa do Guarapiranga. Um evento sem dúvidas trash, mas onde nos divertimos muito e curti bastante com meus amigos de infância, Chico, Pepe, Zé Loco e todos do Tomada! Isso sem mencionar que, atendendo a pedidos do grande Pepe, fui apresentar o Tomada antes de eles entrarem no palco. Foi bárbaro!
Revi amigos de faculdade, de lugares aonde trabalhei (Marques Rosado Toledo Cesar e Carmona Advogados, Maluly Junior Advogados, IOB)e das estradas da vida em geral. Conheci as lindas filhas gêmeas da minha amiga do coração, Andreza. Organizei duas festas em casa na qual estiveram presentes cerca de 50 pessoas em cada, com música ao vivo feita por mim, pelo Symon Novais, Klebinho, Gui Scatena, Neno Miranda e Radamés, sempre no esquema violão, voz, gaita, flauta e percussões de todo gênero. Ambas as festas prolongaram-se até as 6 da manhã com o saldo de apenas um morto na primeira (grande Pagottão!). Tocamos também, eu e a Symon Novais, na festa de aniversário do meu cunhadão gente boníssima, Dani Asp.
Aproveitei essa estada no Brasil para comer tudo o que não se encontra pela Europa: coxinha com guaraná, pingado com pão na chapa, pastel de feira com caldo de cana, pizza brasileira (a melhor pizza é a de SP) e rodízios! Aqui não existe rodízio o que torna praticamente impossível um jantar em restaurante japonês, por exemplo. Meu primeiro café-da-manhã dispôs de pãozinho francês (que aqui não existe!) e bisnaguinha com requeijão. Do jeitinho do meu paladar!
Dei um pulinho em Campinas para visitar os parentes do Son e levar algumas lembracinhas que ele mandou por meu intermédio. Lá dispus de um café-da-manhã com pão de queijo e outras raridades aqui na Itália!
Passei um final de semana inesquecível com minha irmã, Dani Asp e Symon Novais em Juquehy.
Consegui também renovar minha CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e fazer minha carteira de motorista internacional para poder guiar aqui na itália.
Por fim, tive um super intensivo de aulas de voz e expressão corporal com a Madá (Madalena Bernardes), amiga de nossa família desde o início dos anos 90. Com isso penso em dar um impulso maior à minha carreira musical, mas, como já disse, não escreverei muito sobre meus planos.
Ah... também aproveitei para deixar meus dentes em dia! Recomendo a todos o dentista Marcos Bimbati!A volta foi um pouco difícil, pois a saudade de tudo e de todos aumentou em vez de diminuir, mas meus planos para o futuro e meus objetivos aqui na Europa me fizeram ser otimista quanto à minha volta.

Ovelhas

24.08.2006

Depois que realizamos e Festa do Verão, o IBRIT (Instituto Brasil-Itália) organizou durante todo o mês de agosto, sempre às quinta-feiras, noitadas brasileiras à Fabbrica del Vapore, convidando a Escola de Samba e os Ovelhas e se apresentarem, aquela no dia 03.08 e estes no dia 24.08. É certo que não tem quase ninguém em Milão por causa das férias e quando tocamos com a escola de samba, em 03.08, o público era de cerca de 20 pessoas, incluindo amigos próximos. Até mesmo pessoas da escola de samba estavam viajando e fizemos uma das apresentaçoes mais toscas que já vi, sem nossa bailarina, sem passar o som e sem ninguém para ver. Mas pegamos nossa graninha e nos divertimos um pouco.
Para a apresentação dos Ovelhas, porém, já quase ao final de agosto, haviam mais pessoas, mas nada comparado às festas anteriores. Um problema que poderia ser previsível, mas que de certa forma nos pegou de surpresa foi a ausência injustificada do Neto na guitarra. Isso fez com que tivéssemos que modificar um pouco o repertório, mas nada muito preocupante uma vez que já há algum tempo ensaiamos sem contar com ele, que tem tido outras prioridades, o que pode custar algumas modificações futuras na formação do grupo.
Em relação ao trabalho, ainda estou no Hotel Visconti Palace no café-da-manhã, apesar do mês de agosto ter pouquíssimo a se fazer, pois em razão das férias de verão, todos os turistas estão na praia e poucos ficam em Milão.
Em casa a situação está um pouco indócil: problemas de relacionamentos com a Luz de modo que em setembro vem o Dan Fujita e a Amelita para morarem em seu lugar, o Salvatore querendo vender o apartamento, a senhora do apartamento ao lado que já chamou até a polícia pelo suposto barulho que fazemos durante a noite. Assim não sei nem o que vai ser de tudo isso quando eu voltar do Brasil.
Aliás, importante mencionar que doravante só escreverei neste bog sobre eventos que já ocorreram, evitando escrever sobre planos e projetos, pois além de gerar um criar uma expectativa nem sempre correspondida em quem acompanha minhas aventuras, abre possibilidades para a atuação do chamado olho-gordo, sem preconceito com os gordinhos.
No mais, estou indo embora... no mais, estou indo embora.... no mais... Brasil, tô chegando!

Nana Werneck e Ricardo Pastore

23.07 a 23.08.2006

Este foi um mês de visitas aqui em casa. Primeiro recebi minha grande amiga Ilana Werneck com sua mãe, Ana Clara, que infelizmente ficaram somente um dia em Milão, mas tempo suficiente para colocar o papo em dia, tocarmos violão e fazê-las conhecer a cidade. Conheci a Nana em 2001 através de nosso amigo em comum, Ronaldo Pagotto, quando fui a Pouso Alegre (MG) em razão dos Jogos Café-com-Leite, jogos universitários entre faculdades de direito de São Paulo e Minas Gerais. Descobrimos uma grande afinidade pela música, poesia e amizade, mas infelizmente não pudemos desenvolver tanto nossa amizade pelos caminhos diversos que a vida nos colocou.
Jamais imaginei que após tantos anos nos reencontraríamos na Europa e por apenas um dia. Mas foi muito legal e valeu a pena! Espero revê-la em outubro em Belo Horizonte ou em Pouso Alegre para o lançamento do seu livro de poesias e, aproveitar para resgatar meu livro do Platão que esqueci na bolsa dela.
Depois da Nana e de sua mãe, foi a vez de receber aqui em casa o grande Ricardo Pastore, amigo de infância que mora na mesma rua em que eu morava em São Paulo e não nos víamos há cerca de 10 anos. Ainda que eu não houvesse tido tanto tempo para estar com ele, em função dos ensaios da banda e de outros empecilhos, conseguimos nos atualizar sobre este tempo e estarmos um pouco juntos. Em verdade quem acabou fazendo mais sala para ele foi a Luz, que o acompanhou em alguns passeios noturnos.
O Ricardo chegou no feriado de Ferragosto, quando todos os italianos viajam e aqui em Milão, à parte a região de Naviglio, a única coisa que se tem para fazer é ir ao Castelo Sforzesco assistir aos fogos de artifício. Fomos ao Castelo e lá encontramos a prima do Rica, Renata, com dois amigos, Maira e Peri. Mais tarde, encontramo-nos com Macaquinho, Jampa, Marlon, Ale, Gabhy e Susan, mas estava começando a chover e fomos embora para casa.
Foi muito bom receber em apenas um mês dois amigos que há tempos não havia qualquer contato. Espero ainda a visita de muitos amigos e quero também visitar outros amigos pelo mundo.
Outro momento mágico deste período foi a Pizzada que organizamos aqui em casa, quando ao final, vieram 3 policiais para controlar o barulho que, segundo o vizinha louca, era excessivo. Mas eles nem entrarm em casa e foram embora sem maiores problemas.Essa senhora louca tem sua cama encostada na parede que dá diretamente para nossa cozinha e para nossa sala de estar. Assim, qualquer gaveta que abrimos, qualquer conversa que fazemos, mesmo que em baixo tom, a incomoda. Ocorre que já discutimos inúmeras vezes sobre o espaço de cada um, o respeito pelo próximo e o que pode ser feito para amenizar este problema, mas o único argumento da senhora é que somos anormais porque ficamos acordados até 02:00 horas e acordamos cedo. Mudar toda nossa sala e cozinha para o outro lado da casa é impossível; deixar de falar e ir dormir às 21:00 horas, pior ainda. Então falamos baixo e não fazemos tanto rumor quando preparamos o jantar depois das 22:00 horas. Mas não podemos virar prisioneiros dentro de nossa própria casa e deixar de fazer aquilo que qualquer pessoa normal faz, sem excessos. O grande problema de toda essa história tem a ver com uma qualidade brasileira, dita de terceiro mundo, à qual os italianos estão muito longe de conseguirem: tolerância. Realmente já conversei com diversos amigos meus italianos e eles mesmos afirmam que sua cultura é intolerantes demais. Menos mal que os policiais viram que estávamos batendo papo e escutando música em volume baixo, sendo certo que a senhora exagerava. Menos mal ainda que o proprietário do apartamento, Salvatore, também já teve problemas com essa senhora louca e sabe com quem lidamos. Bom, já estamos traçando estratégias para contra-atacar e nossa resposta será ainda mais inesperada e pesada!

Monday, July 31, 2006

Festa do Verão

22.07.2006

Mais uma festa do Clube do Balanço, mais amigos, mais música, mais stress, mais diversão. No dia anterior à festa, a Escola de Samba havia sido contratada para tocar no Festival Latinoamericando, antes e depois da apresentação do Gilberto Gil. Assim, o Big Bimba veio para Milão e logo que chegou aqui em casa fomos para o Festival e encontramos, além de todo o pessoal da Escola de Samba, a Elena e o Dan, um italiano muito gente boa que mora em Londres e que já o havia conhecido na segunda festa do Clube do Balanço. Assistimos juntos ao show do Gilberto Gil, fiz um pouco de propaganda para a festa do dia seguinte e fomos embora. Apesar de Gilberto Gil ser sempre Gilberto Gil, esperava um pouco mais de seu show, que foi mais para gringo ver que para brasileiro. Mas valeu a pena!
Sabadão de festa, acordamos, tomamos café-da-manhã e, por volta das 14 horas, fomos para a Fabbrica del Vapore, local da festa, passar o som e colocar tudo em ordem. O local estava uma verdadeira sauna e trabalhamos todos de shorts e sem camiseta, inclusive para passar o som. Para piorar, o ar condicionado funcionava somente aonde tinha o bar, bem distante da pista de dança e do palco. Ainda, não havia cabos para os microfones, de modo que começamos a passar o som lá pelas 19 horas. A festa começaria às 20:30 horas. Neste ínterim melhoramos a decoração do lugar remanejando sofás, cadeiras e luminárias.
Voltamos para casa para tomar banho e parra pegar a Luz e o Emerson. Quando voltamos para a festa eram já 22:00 horas e começamos o show dos Ovelhas às 22:30 horas, ainda com poucas pessoas na casa.
O repertório desta vez foi bem mais animado, mas sempre com uma introdução de MPB. Assim, abrimos com "Boa Noite" (Djavan) e seguimos com "Chão de Giz" (Zé Ramalho), "Garotos" (Leoni), "Se" (Djavan), "Fácil" (Jota Quest). A partir daí começamos a ir mais para o pop\rock e as pessoas foram chegando mais próximo ao palco e, graças ao Son e à Luz, empolgaram-se à dançar e a cantar. Em verdade os dois não pararm um minuto de dançar, agitar e puxar as pessoas para dançar à frente do palco. Só sei que no final estava uma zona generalizada na pista. Mandamos na sequência "Se Você Pensa" (Roberto Carlos), "O Mundo" e "Tudo Que Vai" (Capital Inicial), "A Feira", "Tribunal de Rua" e "Mar de Gente" (O Rappa), "Noite do Prazer" (Cláudio Zoli), "Manuel" (Ed Motta), "Encontrar Alguém" e, para finalizar, a tripla de Skank "Três Lados", "Tão Seu" e "Saideira".
Durante o show uma menininha linda de 2 anos se aproximou diversas vezes do palco para me acenar tchau, quando numa destas vezes a fiz subir ao palco, peguei-a no colo e disse ser ela a mais bela dama da noite. Dei-lhe um beijo na bochecha e a devolvi ao seu pai. Pena que ninguém tirou uma foto dela...
Desta vez tocamos todos em pé e tivemos uma força a mais nas percussões, o grande Alê Lamy!
Mais tarde entrou a Feliz da Vida, mas tocou menos que o programado porque já eram 02:00 horas e não era mais permitido fazer som ao vivo. De qualquer forma, este é sempre o ponto alto da festa, quando todos dançam até se acabarem, empolgados pelo som da bateria e pela apresentação da nossa bailarina Anne. O único problema ainda com a Escola de Samba é a trava psicológica que bloqueia todos os integrantes para cantarem junto comigo os sambas enredo, o que me faz forçar demais a voz e não dá o efeito justo a um samba enredo, que geralmente é puxado por três negões de voz fortíssima e cantado por toda a Escola de Samba. Não preciso nem dizer que acabo desafinando pra caramba e ficando sem voz depois...
Os pontos fracos, como quase sempre, foram o horário final da festa (cerca de 02:30 horas, pois em Milão existe uma lei que não permite festas até mais tarde, exceto raríssimas exceções), a música tocada pelo DJ que desta vez gerou reclamações de diversas pessoas principalmente quando quase assassinou a festa colocando a mais calma e fúnebre bossa nova antes da Escola de Samba entrar no palco, o número de pessoas que, apesar de ser superior ao da festa anterior, não superou nossas espectativas, e todo o stress pré e pós festa por pequenos problemas que poderiam ser resolvidos com mais tolerância, recepção crítica e trabalho.
Mas o resultado final foi muito positivo e com certeza para a próxima festa conseguiremos ajustar os detalhes que ainda faltam para ccada vez mais melhorar o evento e trazer cada vez mais pessoas!

Steel Pulse

16.07.2006

Não faz muito tempo que conheço Steel Pulse, mas o suficiente para não perder um show deles. Minha irmã, Maria, comentou há alguns meses que tinha ido a um show deles em São Paulo e que se eu tivesse a mesma oportunidade, não a deixasse passar.
Até então eu nunca tinha escutado sequer uma música deles, mas logo fui à Feltrinelli da Galleria Vittorio Manuelle e comprei o CD Victims. Virei fã do rhythm-reggae-soul que eles fazem, mas não tinha notícia de nenhum show deles pela Europa, até que, por acaso, vi colado em um muro perto de casa um anúncio de um concerto deles dois dias mais tarde. Seria domingo e não sabia se algum de meus amigos conhecia Steel Pulse ou se gostaria de me acompanhar. De qualquer forma, decidi ir ao show mesmo que sozinho, o que de fato ocorreu.
Domingão, por volta das 21:00 horas, saí de casa e fui a pé para o Rolling Stone. No caminho liguei para o Big Bimba para nos atualizarmos das novidades e mandei uma mensagem para minha irmã dizendo que estava indo ao show do Steel Pulse.
Cheguei pontualmente às 21:30 horas, comprei o ingresso e entrei encontrando um Rolling Stone vazio. Havia cerca de 10 pessoas no local, mas um pouco antes de começar o show, o número subiu para cerca de 60 pessoas. Com certeza este vazio deu-se pela fraca divulgação e pouca publicidade, uma vez que mesmo tendo procurado na internet, jornais, revistas e outros meios de comunicação, só fiquei sabendo do show por acaso, para minha sorte.
Foram quase 2 horas de show durante as quais todos os integrantes mostravam-se realmente felizes em fazerem o que fazem, divertiram-se e divertiram o público, dando uma bela lição de profissionalismo, técnica e música. O líder da banda, vocalista e guitarrista, David Hinds, é um dos rastamen mais engraçados que já vi, tirando o fato de cantar com o nariz no microfone. Destaque também para o tiozão dos teclados e também vocalista, Phonso Martin, animadíssimo e sempre palhaço.
O único problema que encontrei, afora não ter ninguém para compartilhar a alegria do momento, foi um rapaz homossexual que de tempos em tempos vinha dançar colado em mim numa nítida tentativa de aproximação com o único objetivo de frequentar minhas carnes. Mas após tomar uns discretos reggae-pisões no pé e umas cotoveladas na boca do estômago, sossegou e foi dançar do outro lado da pista.
Mais uma vez minha irmã cabeçuda acertou em cheio na dica e recomendo a todos um show do Steel Pulse!

Brescia

08.07.2006

Acordamos pela manhã, em razão do calor que fazia, uma vez que eu e o Big Bimba dormíamos dentro de seu carro, num estacionamento em frente à praia de Viareggio. Tomamos café-da-manhã (entenda-se por isso pão com mortadela e vinho tinto) às 07:30 horas e curtimos a praia até as 15:00 horas, quando passamos em um McDonald's para comer e seguimos viagem para Brescia aonde a Escola de Samba deveria se apresentar pela noite.
Claro que nos perdemos um pouco, principalmente porque o Big Bimba até hoje não tem um guia de estradas, de ruas, de sejá lá o que for em seu carro. Bárbaro! Mas chegamos a tempo no Oasi, um restaurante, bar, pizzaria, balada e tudo o mais em um só lugar. O pico é muito legal, com vários ambientes diferentes, uma estrutura muito boa e, ao ar livre, um grande palco para espetáculos e um belo espaço para dançar e assistir ao espetáculo, com capacidade para cerca de 2 mil pessoas. Nos apresentamos neste palco, mas não sei se por falta de divulgação ou divulgação mal feita, contava-se nos dedos as pessoas que estavam nos assistindo. O proprietário do lugar chama-se Walter e já tocou em outros tempos com a Feliz da Vida, além de ter sido o patrocinador de nossos flyers para a Festa do Verão (22.07.2006). Segundo alegações do mesmo, a falta de público se deu em função das férias e da falta de ânimo das pessoas da região. Verdade ou não, tocamos assim mesmo, com a empolgação de sempre e recebemos nosso cachê do mesmo jeito. Colocamos até o Big Bimba para tocar tamborim! Mágico!
Como sempre, tivemos problemas com microfones, técnico de som mongol, integranttes da Escola que não puderam vir tocar e outros que só aparecem quando se fala em dinheiro, mesmo que jamais tenham ensaiado. Mas ao final tudo se resolve e, entre tapas e beijos, fazemos o que temos que fazer. Fizemos a tradicional introdução instrumental e tocamos alguns sambas enredo.
Acabamos de tocar e por volta das 02:30 horas fomos embora. O Big estava cansado, preferiu voltar direto para Thiene em vez de ficar em Milão e foi embora mais cedo, por volta das 01:30 horas. Em verdade ele estava um pouquinho mal porque dormiu no Sol e, por isso, estava ardendo e com o corpo muito quente.
Voltei com a Debora, de carona com o Gianluca, que toca surdo na Escola de Samba, mas a estada principal estava fechada. Como o Gianluca mora do outro lado de Milão e não conhece um cazzo das estradas da região além do trajeto casa-trabalho-casa, chegamos em casa às 6 da manhã. Muuuuito gostooouso!

Eric Clapton e Robert Cray

07.07.2006

Há muito tempo esperava por ver e escutar Eric Clapton ao vivo, pela lenda que é e por todo seu trabalho, seja no Cream, seja na carreira solo, que conheci através do meu irmão Big que sempre curtiu blues e, pouco antes de vir para a Itália, eu escutava sempre no carro da Lilica, amiga maluca que tenho em SP e que conheci pela minha irmã.
O grupo de abertura era Robert Cray, do qual o Silvio Lopes, irmãozão guitar-hero da King Bird, gravou-me um disco que me agradou muito (The Score). Assim, ero ansioso pelos dois shows e queria chegar cedo ao lugar do espetáculo para estar próximo ao palco.
Chegamos à Piazza Napoleone por volta das 20:00 horas, pois o show de abertura começava às 20:30 horas. Mal encontramos um lugar bom para ver um show, um malucão começou a reclamar do fato de eu e o Big sermos muito grandes e estarmos à frente dele e de seu filhote, que haviam chegado bem mais cedo. Depois de dois minutos de discussão inútil, deixamos eles falando sozinhos e não arredamos pé do lugar. Aonde já se viu discutir por um lugar num show que só tem pista, no meio de uma praça? !
Pontualmente às 20:30 horas começou o show do Robert Cray. Fiquei impressionado com a simplicidade, a humildade e o talento dele ao vivo. Um estilo de blues que não via há tempos, realmente diverso do que andam fazendo nos últimos tempos. Muito bom!
Após o término do show de Robert Cray, com mais de meia hora de atraso, entra num palco cheio de jogos de luzes Eric Clapton. Os músicos que o acompanhavam eram realmente impressionantes, com destaque para Doyle Bramhall II e Derek Trucks nas guitarras. Confesso que esperava mais do set list, que não foi muito empolgante se levarmos em conta a vasta coleção de sucessos e músicas boas que ele tem, apesar de ter melhorado bastante na última parte do show.
Mesmo a turnê sendo do último álbum, Back Home, eles tocaram só duas músicas deste trabalho (So Tired e Back Home), deixando de lado as maravilhosas Lost and Found, One Track Mind e I'm Going Left, que seria perfeita para finalizar o show. Das famosíssimas mesmo só tocaram Cocaine. Mesmo assim, foi um concerto de muito profissionalismo e excelente qualidade musical, além de não ser todo dia que temos a oportunidade de assistir a um concerto do Eric Clapton, de perto, em uma bela praça medieval a céu aberto e por um preço super acessível. E sempre na companhia do Big Bimba, que já me acompanhou aos shows do Testament, Nevermore, Tracy Chapman entre outros.
Após o show, demos uma última volta por Lucca, tomamos um sorvete e nos dirigimos à praia de Viareggio.

Pisa, Lucca e Viareggio

07 e 08.07.2006

Em razão de nossa ida ao Lucca Summer Festival, eu e o Big Bimba pensamos em fazer um passeio pela região e aproveitar para passar em Pisa e Viareggio.
Assim, no dia 07 bem cedo pela manhã o Big partiu de carro de Thiene e eu peguei o trem sentido Bologna, ponto de encontro de onde partiríamos juntos para Pisa. Encontramo-nos na Stazione Centrale de Bologna e fomos juntos de carro até Pisa.
Comemos alguma coisa na estrada e chegamos em Pisa no início da tarde, por volta das 13 horas. Fizemos um belo passeio por Pisa, conhecemos um pouco a cidade incluindo, claro, a praça principal (Campo dei Miracoli) aonde se encontram a Duomo, Battistero, Camposanto e a famosa Torre Pendente. Após Pisa seguimos para Lucca, tendo como paisagem na estrada inúmeras plantações de girassol.
Colonizada pelos romanos no século II a.C. para se tornar um campo militar, Lucca é uma das únicas cidades medievais que mantiveram intactas as muralhas de proteção que a circunda e muito de suas características peculiares originais. É incrível passear sobre as muralhas que circundam toda a chamada "Cidade Velha" de Lucca, que dispõem de 5 grandes portas de entrada, e imaginar como as pessoas daquela época viviam e como tudo funcionava. Conseguimos encontrar a vendinha de um senhor na qual o Big havia estado há 5 anos com seu amigo Cipolla e em razão de sermos brasileiros e do fato de o Big ter conhecido o antigo proprietário que hoje está afastado de suas funções pela idade avançada, tivemos um excelente desconto. Uma garrafa de vinho, um gigante pão com o qual conseguimos fazer 4 lanches grandes, queijo e mortadela, por 2 euro!
Comemos, bebemos, rodamos bastante pela Cidade Velha e no final da tarde nos dirigimos à Piazza Napoleone, aonde seria o show do Eric Clapton e do Robert Cray. Um detalhe curioso desta viagem foi o número de animais que requereram minha atenção. Fizemos fotos com pelo menos um gato e dois cachorros.
Assim que o show terminou, passamos na única loja de CDs e DVDs aberta na cidade, tomamos um sorvete e nos dirigimos à Viareggio, cidade praiana do litoral Toscano. Chegamos em Viareggio por volta das 2 da manhã, conhecemos brevemente o local, estacionamos o carro em frente à praia, deitamos os bancos do carro e dormimos até que o Sol da manhã começasse a nos assar lá dentro. Nosso café-da-manhã, às 07:30 horas, foi pão com mortadela e vinho, resíduos da noite anterior. Uma delícia! Do jeitinho do meu paladar! Escolhemos um dos incontáveis "Bagni" de Viareggio e curtimos a praia até as 15:00 horas. Bagno é um trecho de praia particular, gestido por uma espécie de mini-hotel, disposto de chalés e pequenos quartos só para se trocar de roupa e fazer uma ducha. Paga-se um valor fixo e pode-se usar o banheiro, o chuveiro e o quartinho e dispõe-se de um guarda-sol e cadeiras.
Passeamos até a ponta da praia, fizemos um banho de mar e fomos deitar para tomar um pouco de sol. Ficamos o dia todo sem fazer mais nada, só relaxando e, após todo esse passeio, fomos direto para Brescia, uma cidade a cerca de 50 quilômetros de Milão, pois iríamos tocar com a Escola de Samba no Oasi, um lugar brasileiro de propriedade do Walter, amigo nosso que antigamente tocava surdo na Escola de Samba, inaugurado há duas semanas.
O final de todo esse passeio deu-se com o Big indo embora direto para Thiene e eu voltando com a Debora para Milão, chegando em casa por volta das 06:00 da manhã, capotando de sono. Mas valeu muito a pena pelos lugares que conheci, pelos shows que fui e por poder mais uma vez passear com meu irmão e colocar toda a conversa em dia!

Master Bimba

01.07.2006

E eis que, depois de meses juntos na Itália, meu pai volta ao Brasil. Após um início turbulento de adaptação aqui em Milão, culminando com sua mudança para Thiene, aonde foi morar com meu irmão, Big Bimba, meu pai conseguiu relaxar um pouco e deixar as preocupações brasileiras de lado e aproveitar ao máximo sua estada aqui na Europa e ir realmente atrás de seus objetivos primeiros, quais sejam, aqueles ligados ao doutorado junto ao Politecnico di Milano.
É muito diferente visitar um país por uma semana, conhecer os pontos turísticos, somente a passeio e realmente morar neste país por uns meses, quando se tem a oportunidade de conhecer os problemas cotidianos e as dificuldades enfrentadas pela população. Talvez tenha sido este o choque de meu pai, ao se dar conta de que Milão, como qualquer outra cidade no mundo, também tem seu lado feio, seus problemas sociais, econômicos e apresenta diversas faces daquilo que eles mesmo chamam de "terceiro mundo". De fato, em Certosa, aonde meu pai morava aqui em Milão, não há nada para se fazer, nenhum lugar para passear e o residencial aonde morava estava praticamente vazio. Até mesmo eu, com meu estéreo, Cds, DVDs, meu violão e meus livros, cedo ou tarde, entraria em depressão naquele lugar. Como eu não podia estar sempre com meu pai, pois àquela época tinha três trabalhos diferentes, ensaiava com a banda e tinha que resolver alguns assuntos psicomulheris, a melhor opção mesmo foi sua transferência para Thiene.
A mesma experiência que tive com meu irmão Marco repetiu-se com meu pai, de forma igualmente positiva. Estando fora de nosso país, distante de todos os cenários vividos ao longo dos anos, cenários estes que serviram de fundo a inúmeras situações e sentimentos que nem sempre norteiam da melhor forma possível o relacionamento entre membros de uma família, pudemos restruturar estas situações e sentimentos, ainda que sem se dar conta, e assim nos tornarmos mais próximos, mais abertos, mais amigos. Aprendemos a nos preocupar mais um com os problemas do outro, a conversar sobre todos os tipos de assuntos e a conviver em situações anteriormente inimagináveis juntos. Por exemplo, o fato de meu pai ter tocado conosco em um ensaio da Escola de Samba, ter vindo às festas que fazemos ficando até o final, sempre se divertindo, dando idéias de músicas para colocarmos no repertório, chegando até mesmo a xavecar mocinhas para mim! Sim, ele chegou a organizar um jantar entre eu e a Debora antes mesmo que houvéssemos nos falado. Bom, não posso reclamar disso porque ao final deu tudo certo e temos saído juntos em continuação e estamos nos dando muito bem. De fato, ela é uma pessoa maravilhosa da qual ainda escreverei outras vezes neste blog.
O único ponto negativo da estada de meu pai em terras européias foi o fato de não ter aproveitado melhor este período para viajar, conhecer lugares e, principalmente, dar um pulinho à Suécia para visitar nossos parentes de coração da família Delarid.
Poderia escrever milhares de linhas sobre a experiência que tivemos aqui na Itália durante esses meses, mas prefiro deixar espaço aberto às futuras experiências, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, guardando as lembranças dessa maravilhosa fase juntos, eu, o Big Bimba e o Master Bimba, aqui na Itália.
Em setembro estarei no Brasil e, pela primeira vez em mais de um ano, estaremos todos reunidos de novo, por pelo menos um dia, pois no dia em que eu chego o Big Bimba volta para a Itália.