Thursday, December 29, 2005

Venezia

26/12/2005


Acordamos por volta das 07:00 horas, tomamos um reforçado café-da-manhã e pegamos o trem para Venezia. Chegamos na Stazione Venezia Santa Lucia por volta das 11:00 horas. Deste momento até as 19:00 horas caminhamos sem parar um minuto sequer. Rodamos por praticamente toda Venezia, faltando somente a pequena ilha localizada ao sul da cidade, porque não tínhamos como (R$) atravessar o Canale Della Giudecca.
A cidade realmente é belíssima, a arquitetura esplendorosa e, principalmente à noite, tem um encanto diferente, único. Mas não senti aquela atmosfera romântica que tanto falam de Venezia... Mas não pelo fato de estar desacompanhado e nem se alegue que meu coração está frio porque estou numa fase muito boa em relação a este busílis. All the way, Venezia é fantástica e até mesmo misteriosa, com suas incontáveis vielas, infinitos becos e ruelas que fazem da cidade um verdadeiro labirinto. Falando nisso, como decidimos ir para Venezia de última hora, não havíamos qualquer guia turístico ou mapa, o que nos fez rodar e rodar por horas perdidos pela cidade. O melhor disso tudo foi que, em dado momento, notamos que várias pessoas também estavam perdidas e fizemos finta que nós sabíamos perfeitamente por onde andávamos e todas essas pessoas, por um bom tempo, seguiram-nos! Excelente!
Um detalhe previsível mas curioso da cidade é a ausência de automóveis. Não se escuta um só ruído de motor de carro, caminhão, moto, barulho de bicicleta ou qualquer outro meio terrestre de locomoção, principalmente quando cai a noite e as ruas de Venezia se tornam mais vazias.
Assim, sempre caminhando, conhecemos os principais pontos turísticos e peculiaridades de Venezia (Piazza San Marco, as Gondolas, Ponte di Rialto, Santa Maria Della Salute, Palazzo Sagredo, Madonna Dell'Orto, Santa Maria Gloriosa Dei Frari, Palazzo Ducale etc), mas não chegamos a entrar em nenhum museu ou igreja, pois a ausência de guia nos faria gastar dinheiro à toa, uma vez que estaríamos ignorantes em relação àquilo que visitaríamos. Decidimos, portanto, primeiro estudarmos melhor sobre a história da cidade e, numa próxima vez, visitarmos todos os museus, catedrais e postos turísticos.
Por volta das 19:00 horas resolvemos finalmente sentar e comer alguma coisa no Burger King, recebendo o pior atendimento do mundo, com somente um pamonha para atender e um gerente cuja presença e atuação assemelhavam-se simultaneamente à de um cego em tiroteio,uma minhoca no sol, uma lesma repleta de sal, uma tartaruga sem pernas e um bicho-preguiça embriagado. Mas comemos mesmo assim, fizemos mais um pequeno giro noturno por Venezia e pegamos o trem das 20:30 horas e voltamos cansadíssimos à Thiene. Tão cansados que se o Marco não acordasse e me chamasse exatamente no momento em que o trem parou na Stazione Vicenza, seguramente teríamos parado em Schio e teríamos que voltar todo o percurso, se houvesse trem, o que seria muito difícil às 22:30 horas.

Natal

22 a 25/12/2005


Depois de almoçar com o Henrique e com o Gabriel aqui em casa, dirigimo-nos, eu e o Henrique, à Stazione Centrale para pegarmos o trem para Thiene e passarmos o Natal com o Marco, Big Bimba.
Chegamos em Thiene por volta das 19:00 horas, a casa já estava arrumada para a piccola ceia, conversamos um pouco, fomos até o Carrefour comprar o que faltava para o jantar e esperamos o pessoal chegar. No total, estávamos em cerca de 15 pessoas, conversando, comendo e bebendo um vinho ao som de Ivete Sangalo e Shania Twain. Vale comentar que o Big Bimba ganhou de presente uma cuequinha vermelha fim-do-arco-íris! Pouco após a meia-noite, depois do brinde e das congratulações natalinas, incluindo ligações e mensagens telefônicas, fomos para um bar em Vicenza chamado Viva Brasil, já tratado neste Bimbando na Europa em meados de maio do corrente ano.
Havia praticamente ninguém no Viva Brasil, mas a balada foi nossa. Enchemos a casa com nossa presença, dançamos bastante, cantamos, bebemos caipirinhas de toda sorte e o Marco até descobriu que o DJ da casa era de São Paulo, bairro de Pinheiros, próximo de onde morávamos. Como diria o mestre Falcão: "O mundo é tão pequeno, eu me procuro e não me acho". Quando deu umas 04:30 horas o DJ foi embora e foi hora de pegar a viola e fazer o pessoal dormir. Como sempre, ao som de Djavan, Zeca Baleiro e Zakk Wylde, a galera relaxou e curtiu o fim de balada. Chegamos em casa e fomos dormir por volta das 06:00 horas.
No dia seguinte, acordamos um pouco tarde, almoçamos, fizemos um giro pelo centro de Thiene e acompanhamos o Henrique até a Estação Ferroviária, pois ele deveria retornar à Milão no dia 25 mesmo. Assim que ele foi embora, eu e o Marco decidimos ir a um centro de entretenimento em Torri di Quartesolo, comer alguma coisa e ir ao cinema.
Comemos uma bela pizza no Crazy Bull, uma espécie de lanchonete/restaurante com um ambiente descontraído e música moderna. Aliás fui perguntar ao DJ qual o nome de um grupo cuja canção que tocava me interessou e, logo após, ele colocou uma sequência de músicas brasileiras em homenagem a mim e ao Big Bimba, anunciando isso no microfone. Bárbaro!
A pizza era gigantesca e conversamos bastante, mormente sobre assuntos psicomulheris e projetos de vida.
Saímos do Crazy Bull e fomos ao cinema assistir ao filme Mr. e Mrs. Smith. Aliás, um parênteses aqui para dizer que nas últimas duas semanas fui ao cinema quatro vezes para deixar o Henrique com sua companhia à vontade em casa e, assim, já havia assistido ao King Kong, Memórias de uma Gheisa e The Interpreter. Por isso o que nos restou foi este filme de ação/comédia/forçado. Mas foi legal, pois pudermos fazer bastantes coisas juntos, eu e meu irmão.
Um Natal com pouca grana, sem muito luxo e sem uma ceia abundante, mas muito intenso, divertido e próximo ao meu irmão, que me representa toda a família que está no Brasil.
Depois do filme fomos para casa e resolvemos acordar cedo no dia seguinte para um bate-volta em Venezia.

Thursday, December 22, 2005

Mestrado

21/12/2005

Através do site da Università Cattolica fiquei sabendo o resultado do mestrado e descobri que estou na lista de espera, não tendo, portanto, sido escolhido para a primeira chamada. Como as únicas exigências para o mestrado são a apresentação do currículo e a realização de uma entrevista, este resultado, embora não quisto, era de certa forma esperado. Meu currículo é todo voltado à esfera jurídica, salvo pelo incremento que fiz indicando todos os eventos festivos que realizei e a ajuda na produção do CD do King Bird, sendo que o currículo dos outros candidatos era voltado ao campo musical, muito mais específico que o meu. Além disso, haviam cerca de 80 candidatos para 20 vagas apenas.
De qualquer forma, tentei, e vou tentar novamente no próximo ano, se continuar com este objetivo. Agora devo colocar em prática meu Plano B: mudar de emprego, organizar melhor minha vida e buscar algum curso para aprender mais sobre as áreas musical e de eventos, melhorando assim meu currículo.
Nada ocorre por acaso e já me convenci de que realmente foi melhor assim, ao menos nesta fase. Senão, vejamos.
Se fizesse o mestrado agora, em razão das aulas acontecerem das 14:30 horas às 19:30 horas, certamentee eu teria que continuar trabalhando na sorveteria, sempre á noite, especialmente durante as madrugadas de sexta-feira, sábado, domingo, feriados, verão, enquanto todos se divertem.
Ainda, como não consegui juntar todo o dinheiro para cursar o mestrado, cujo pagamento deveria ser feito até 6 de janeiro, teria que fazer um empréstimo e já começar minha vida aqui na Itália com dívidas.
Na esteira da diversão, entretimento e desenvolvimento psicomulherio, se fizesse mestrado, por trabalhar na sorveteria, não teria praticamente tempo para mais nada. Com essa nova situação, terei as noites vagas para sair, ver os amigos, ensaiar com a banda, viver de fato, e fazer inclusive academia, treinar meu tão adorado Taekwondo que está jogado às traças.
Outrossim, poderei me dedicar mais ao estudo do italiano e, quando cursar o mestrado no próximo ano, estarei afiadíssimo, podendo estudar e me dedicar aos trabalhos com muito mais facilidade.
Em outras palavras, seja em função do meu otimismo exacerbado, seja pela facilidade que tenho em ver os pontos positivos de tudo, seja pelo ímpeto de não ficar parado chorando por algo que não tem solução e logo decidir uma nova rota, confirmo minha teoria de que nada é por acaso.
O primeiro passo será deixar a sorveteria até o final de janeiro. Já estou em contato com o Patrick, violonista da banda, para um novo trabalho, com início coincidentemente para o final de janeiro. Segundo passo, encontrar um curso de menor duração que um mestrado e menos custoso também, ideal para meu desenvolvimento na área cultural e musical. O resto virá com o tempo, paciência e espírito indomável!
Que venha 2006, pois estou pronto para outro ano bárbaro, cheio de novidades, surpresas e desafios!!

Wednesday, December 21, 2005

Giorgia

20/12/2005

Já há algum tempo eu queria assistir a um show da Giorgia, pela sua voz, sua interpretação, seus músicos que são excepcionais e pela produção. Como sempre trabalhei às terças-feiras, desencanei do show. Mas neste final de ano tenho trabalhado menos em razão do frio e tive o dia 20 livre. Assim, fui comprar o ingresso para o show, mas pensando em alguém que poderia me acompanhar. Mandei uma mensagem à Elena, mas como ela estava demorando muito para responder e costuma aceitar meus convites, comprei dois ingressos. Meia hora depois veio a resposta dela dizendo que não gosta muito de Giorgia e perguntando se eu me importava se ela não fosse. Claro que não.... Mas logo pensei em qualquer pessoa que gostasse de Giorgia e que estivesse com falta de grana, um pouco afastada das baladas por isso, mas precisando se divertir. Falei com Jampa e ele aceitou o convite. Fomos!O Forum Assago estava um pouco vazio, mas lotou minutos antes do show, para o último concerto da turnê do disco Umplugged que Giorgia fez em parceria com a MTV. Aliás, este foi o primeiro acústico MTV gravado na Itália e a Giorgia sempre termina suas trunês aqui em Milão.A base da banda que a acompanha é formada só por negões, com Michael Baker na percussão, Sonny T. no contrabaixo e Mike Scott na guitarra, o que fez a qualidade musical e ritmica do espetáculo subir bastante.Com uma pequena introdução instrumental, logo entra Giorgia com a canção Girasole. Praticamente todas músicas preferidas pelos fãs estavam no set list: Tradirefare, Vivi Davvero, La Gatta (Sul Tetto), L'Eternità, Di Sole e D'Azurro, So Beautiful, Gocce di Memoria, Spirito Libero, I Heard it Through the Grapevine, E Poi, Viaggio Della Mente.Ela realmente tem muita presença de palco, sente-se muito à vontade com o público, respeita e faz questão de exaltar as qualidades de cada um dos músicos, mostrando eles são de fato uma banda e que somente no nome ela segue carreira solo.Os detaques ficaram para a versão piano e voz da belíssima E Poi, a emocionante L'Eternità e o dueto vocal entre Giorgia e a backing vocal em I Heard it Through the Grapevine (de Marvin Gaye, mas famosa na versão de Creedence Clearwater Revival). A ausência sentida foi da canção Come Saprei, e o ponto fraco, como é costume nos shows da Giorgia, suas trocas de roupa. Ela sempre começa bem, com uma ropinha bacana, mas depois faz duas trocas de vestimenta, numa gradação absurda de breguismo, sendo que no final do show está mais brega que nunca. De qualquer forma, isso não tirou o brilho do espetáculo, porque sua voz está acima disso tudo, a produção (cenário, luzes etc) estava impecável e todos se divertiram e se emocionaram muito, músicos e público, tudo o que um show precisa para ser bom.

Fim de ano

14 a 19/12/2005


Nessa semana conheci os pais do Rubinho, Doutor Sérgio e Senhora Sueli, que são pessoas maravilhosas, super receptivas e com uma energia muito boa, como todas as pessoas que vêm do interior de São Paulo (eles são de Campinas). Falamos bastante sobre cultura geral, viagens e comemos um risoto no melhor estilo pisiti (como diria minha avó Carlota).
Tive a oportunidade também de conhecer os pais do Victor e do Lucas (Zé do Caixão), que não ficam nem um pouco atrás em simpatia e receptividade. Comemos juntos uma bela feijoada para comemorar o retorno do Lucas, que estava trabalhando nas Olimpíadas de Inverno em Torino. Não preciso nem comentar que foi um daqueles almoços que não se consegue nem levantar da cadeira depois... Excelente!
Ainda durante estes dias, decidimos, eu e o Rubinho, irmos para a Espanha no período compreendido entre os dias 9 e 14 de janeiro, pois ele queria há tempos visitar amigos em Sitges e eu poderia aproveitar e visitar minha amiga Sara em Barcelona. Já fechamos as passagens pela Ryanair, num preço bem acessível e de acordo com nossas possibilidades. Agora é só comprar umas bolachas e água e partir!
Antes disso, passarei o Natal com o Marco Big Bimba em Vicenza. Comeremos alguma coisa e parece-me que tem o bar Viva Brasil abrirá depois da meia-noite com uma festinha. É para lá que vamos! Se der, no dia seguinte, fazemos um giro por Verona e região. No Ano Novo o Marco virá para Milão e passaremos juntos com toda nossa galerinha brasileira na Piazza Duomo ou em qualquer outro lugar aonde haja festa boa e barata.
Para finalizar, recebi uma indócil e bárbara ligação do Brasil, de meu grande amigo, brother e parceiro musical no 2DKDA, Titi Schleier! Nunca nos falamos desde que deixei o Brasil e, como meu acesso à internet ainda está precário e restrito, somando-se ao fato dele não ser muito ligado nessa coisa de e-mail, perdemos um pouco o contato. Mas este tipo de amizade jamais se perde e falamos por bastante tempo, planejando de nos encontrarmos em breve pela Europa. Espero que dê certo!

Bambina

13/12/2005

Infelizmente chegou o dia da minha grande amiga Bambina voltar ao Brasil e deixar a Itália um pouco mais vazia e calma. Depois de inúmeros passeios, shows, happy hours e momentos únicos, encontramo-nos aqui em Milão para sua despedida. Muitos amigos que conviveram com ela em Genova vieram também a Milão para os últimos momentos juntos da Bambina na Piazza Duomo. Apesar da Pequenina tentar beber para espantar a tristeza da partida, não conseguiu estar um minuto sem chorar, numa mescla de alegria, tristeza, vontade de ir, de ficar, de sumir, de aparecer, de jamais ter vivido tudo isso, de jamais ter conhecido essas pessoas, de viver tudo isso novamente, de conhecer cada vez mais estas pessoas amadas.
Fomos todos juntos à Stazione Centrale de onde ela pegaria o ônibus para o aeroporto de Malpensa e praticamente todos os demais pegariam o trem para voltarem à Genova, exceto eu, o Iasonas e a Nicky, amigos gregos da Bambina, que acompanhamos ela até o aeroporto.
No meio de tanto choro e longas despedidas, quase perdemos o ônibus para o aeroporto! Chegando no aeroporto, todos os guichês para fazer o check-in já estavam fechados, pois faltavam 30 minutos para o avião partir. Mesmo assim, a Bambina entrou correndo, desesperada na área de embarque, mesmo sem fazer o check-in e, depois de alguns minutos recebemos uma ligação dela ainda em prantos dizendo que conseguiu entrar no avião e estava tudo bem, exceto pelo fato de não ter se despedido de nós, em função dessa correria toda. Mas talvez tenha sido melhor assim, tanto para ela quanto para nós...
Nessa noite o Iasonas e a Nicky dormiram em casa e, durante a volta do aeroporto e, mais tarde, já em casa, durante o jantar, conversamos bastante e nos descobrimos bons amigos. Aliás, foi um bom presente de grego esse que a Bambina me deixou! Já estamos combinando de visitar a Grécia, o Brasil e tudo o mais! A Nicky mora em Bologna e certamente vou passear por lá com o pequenino Frodo (Henrique) qualquer dia!
Certamente a Bambina chegou muito bem no Brasil, já fez aquela churrascada com muita cerveja, reviu todos os amigos e, aapesar da saudade, não está pior do que estava aqui. Se não igual, com certeza um pouco melhor. Fico só com dó daqueles que ficaram em Genova, pois sem a Bambina por lá, adeus happy hours, adeus festas e outras infinitas coisas surreais que somente ela e seu espírito indomável sabem fazer!

Tuesday, December 13, 2005

Tracy Chapman

10/12/2005

Em julho, durante a viagem que fiz com a Bambina (Camila Agustini) à Treviso, para ver o show do B.B. King, comentamos que, tendo em vista os excelentes shows aos quais tivemos oportunidade de assistir aqui na Europa, seria inesquecível se houvesse um show da Tracy Chapman, uma vez que foi ela, a Bambina, quem me mostrou com mais calma o trabalho da Tracy. Duas semanas depois, vi o anúncio na internet do único concerto da Tracy Chapman aqui na Itália, em Milão, no Teatro Smeraldo, mesmo lugar aonde, há cerca de 5 meses, fui assistir ao Chuck Berry. Imediatamente dirigi-me à bilheteria do Teatro Smeraldo para comprar os bilhetes para o show. Com a proximidade da data do show, a Bambina se deu conta de que sua passagem de retorno ao Brasil vencia antes do dia 10 de dezembro e correu para prorrogá-la. No entanto, apesar de ter conseguido protelar seu retorno ao Brasil, por caso fortuito não pôde vir a Milão no dia do espetáculo e rapidamente tive que procurar outra pessoa para ir comigo ou vender o ingresso. Até consegui um comprador, mas preferi chamar a Elena que, na última hora pegou um resfriado e não podia sair de casa. Como sempre, calhou de o Marco Big Bimba estar vindo para Milão e, como ele já me acompanhou em shows de peso (Nevermore e Testament), pensei que seria o momento de dar a ele um show relaxante e mais suave. Fomos o Big e mim assistir à Tracy Chapman!
Apesar do atraso de quase uma hora para começar, o show foi excelente com um set list bem escolhido. Os pontos fracos foram os dois sujeitos que acompanhavam a Tracy e a fraca produção do palco e do show em si. Um perscussionista que tocava bem, mas não fez belos arranjos para as canções mais antigas e acabou por até mesmo tirar a energia de algumas canções que ficaram um pouco apagadas por isso, e um tecladista-guitarrista que fazia as vezes do baixo, mas que era absolutamente dispensável. A produção do palco era muito simples e não tinha qualquer efeito sobre a platéia, tampouco interação com as músicas, além de haver sempre um silêncio constrangedor entre as músicas, sem qualquer efeito sonoro ou palavras da Tracy ao público. Em que pese o fato de Tracy não ser um exemplo de presença de palco, tem uma bela postura e consegue comover o público só com sua voz e suas canções com belos textos, quase sempre românticos ou de protesto. De fato, se o show fosse no modelo "voz e violão", bastaria e seria talvez mais emocionante, uma vez que o espetáculo todo gira em torno da interpretação e da voz de Tracy. Aliás, que voz!
A divulgação do novo álbum, Where You Live, lançado em setembro do corrente ano, deu-se com apenas quatro canções novas, quais sejam, Change, cantada por todos, Talk to You, America, com Tracy tocando também percussão, e Don’t Dwell.
De seu disco de maior sucesso, como não poderiam estar de fora do repertório, Fast Car, Baby Can I Hold You, She's Got Her Ticket, Why? e Talking About Revolution. Mas a canção deste trabalho que realmente chega a extirpar lágrimas é o solo vocal de Behind the Wall. Impossível não se emocionar com a força da voz de Tracy ao vivo e com a profundidade de sua interpretação, sendo este tipo de sensação, de arrepio na alma que faz valer cada centavo de euro pago pelo espetáculo.
Do álbum Telling Stories, tocaram somente a música titulo do àlbum; Do Let It Rain, Say Hallelujah; Do disco New Beginning, a belíssima The Promisse, executada só com violão e voz e, para o bis, uma versão um pouco mais agitada do que a original do magnifico blues Give Me One Reason. Para finalizar, uma versão toda Tracy Chapman da conhecidissima balada Stand By Me, de Ben E. King.
Realmente um show inesquecível, de uma voz poderosa e encantadora que nem mesmo os pequenos problemas técnicos conseguem ofuscar. Depois do show rolou um happy hour em casa, mas não vieram muitas pessoas, somente estávamos eu, o Big Bimba, Rubinho, Neto, Jampa, Henrique e Gabriel. Mas deu para se divertir um pouco, beber e curtir os amigos.

Trabalho e Estudos

06/12 a 09/12/2005

Sinto que as coisas estão prestes a mudar, mas para melhor. No próximo dia 15 de dezembro farei uma entrevista no setor de mestrado da Universitâ Cattolica para definir sobre meu destino estudantil em 2006. Se eles me aprovarem, começo em janeiro a cursar o master Comunicazione Musicale per la Discografia e i Media. Se nao me aprovarem, procurarei outros cursos nesta área para, quando tentar novamente o mestrado no próximo ano, já estar com um curriculo mais adequado às exigências deste curso.
O que vai mudar pelo fato de eu cursar o mestrado ou não é o meu horário de trabalho, uma vez que as aulas são durante a tarde, das 14:30 horas às 19:30 horas. Mas muito provavelmente (espero), em breve haverá mudanças no ambito lavorativo em minha vida. Meu prazo de validade, limite de paciência e momento de desgarramento da sorveteria já está chegando, pois eu sinto o momento, percebo os sinais e as vozes em minha cabeça me dizem! Já aproveitei tudo o que podia daquele lugar e agora sinto que devo mudar de ambiente de trabalho, colher outras energias e, mais que isso, começar realmente a buscar meus reais objetivos aqui na Itália.
Quando comecei a trabalhar na sorveteria sabia falar praticamente nada em italiano, não conhecia qualquer pessoa aqui em Milão, além de estar sozinho, pois o Marco havia acabado de retornar ao Brasil. Ou seja, numa situação na qual não podia escolher muito e aceitar o que viesse. Mas não posso reclamar, pois através da sorveteria aprendi um novo trabalho, muito da língua italiana, atendendo clientes com distintos acentos e pronúncias, além de estrangeiros, o que me possibilitou lembrar um pouco o inglês e o espanhol, conheci todos os amigos que tenho hoje, algumas mulheres com as quais tive oportunidade de sair e conhecer mais sobre culturas diferentes, entre elas a Elena, que tem sido muito especial para mim nos últimos tempos. Claro, sem falar que esse trabalho me possibilitou sobreviver e me trouxe algum dinheiro para poder viajar um pouco, ir a concertos, cinema, sair com os amigos, comprar meu violão, stereo, laptop, forno microondas etc.
Mas, como diria Falcão: "Aonde houver fé, que eu leve a dúvida. Quanto mais, principalmente.". Assim, é chegada a hora de procurar um novo trabalho que me possibilite, se não aprender sobre a área que pretendo começar a trabalhar (música, cultura e espetáculo), ao menos me possibilite estudar e pesquisar, ter mais tempo livre para fazer o que realmente me interessa.Aguardemos novidades para os próximos dias. Com a proximidade de 2006, sinto uma energia positiva vibrando nas ondas intermoleculares de meus pêlos do sovaco esquerdo e um leve escaldamento na minha orelha direita, o que são bons sinais!

Black Eyed Peas

05/12/2005

Foi numa noite fria, ainda com bastante neve pela estrada, que dirigimo-nos ao Forum Assago para assistir ao concerto do Black Eyed Peas. Apesar de eles terem se apresentado na Piazza Duomo em junho deste ano, durante o Cornetto Free Music Festival, o Forum estava cheio, na sua maioria por pivetes milaneses e adolescentes de toda sorte, tendo em vista o atual sucesso da banda aqui pela Europa entre os jovens principalmente. O ponto positivo disso é que se torna mais fácil chegar na frente do palco, ainda mais com a experiência adquirida em anos de frequência a shows de heavy metal.
Encontramo-nos na entrada do Forum, Lucas, Victor, Neto, Rubinho, Henrique, Gabriel e mim, e entramos sem qualquer problema e sem atrasos. Já havia começado o show de abertura, a cargo da banda Flipside, que conseguiu agitar um pouco o pessoal, mormente quando executaram seu maior sucesso Someday.
Findo o concerto, Rubinho, Gabriel, Henrique e Lucas foram bater papo com o chitarrista chileno do Flipside enquanto nós esperávamos pelo início do Black Eyed Peas, que entraram com cerca de 20 minutos de atraso.
O set list foi bem parecido com o feito no Cornetto Festival, o que nao faz dele pior ou menos animado, mas tão-somente conhecido.
Nao faltaram os tradicionais hinos Hands Up, Don’t Phunk With My Heart, My Humps, Hey Mamma. Momento mágico foi durante a música Where is the Love?, quando o vocalista Will.i.am pediu para que todos acendessem as luzes de seus telefones celulares e os levantassem para o alto. O efeito foi muito bonito, levando-se em conta que praticamente todo mundo aqui na Itália tem um celular, parecendo que o Forum havia sido invadido por milhares de vaga-lumes. Senti-me um peixe fora d’água, pois acho que meu celular era o único velhinho, daqueles com a luz verde. Todos os outros tinham luz azul!
Outro momento interessante foi o duelo de vozes entre Will.i.am e a loiríssima , que recebeu nossos urlos de “Loirão! Loirão!” por inúmeras vezes. Num breve intervalo durante a música Shut Up, eles se desafiaram e a Loirão chegou a cantar rodando uma estrela-meio-que-mortal com uma mão e segurando o microfone com a outra, além da feliz adaptação de Sweet Child O‘Mine (Guns n’ Roses) sobre a Shut Up. Will.i.am, por sua vez, fez uma interessante adaptação da No Woman No Cry, de Bob Marley, incidentalmente à mesma Shut Up. Porém via-se que quem tocava a guitarra era outro sujeito no backstage, provavelmente o roadie crew…Mas beleza!
Interessante também foi a percussao feita por dois sujeitos com mesas e cadeiras. Bem criativo. Para finalizar, nada mais agitado que Let’s Get Retarded! Pulamos como macacos e fomos embora felizes, tendo curtido mais um show destes que demoram décadas para irem ao Brasil, ainda que o Black Eyed Peas tenha ido, salvo engano, no início deste ano às terras brasileiras.

Tuesday, December 06, 2005

Enchente

24/11 a 04/12/2005

Esta foi a quarta enchente aqui no apartamento, sendo que a primeira foi obra do Henrique, a segunda do Jeff, a terceira minha e, esta última e mais indócil, novamente do Henrique. Ocorre que, sempre que acionamos a máquina de lavar roupas para funcionar, devemos colocar o cano d'água no vaso sanitário. Se este procedimento não é respeitado, toda a água jorrada pela máquina se espalha pelo apartamento que, por sorte, é todo feito com piso frio, lajota.
Todas as outras vezes alguém chegou em casa e conseguiu amenizar um pouco os efeitos desta força da natureza, mas desta vez estávamos todos trabalhando e, quando chegamos havia um bilhete da moradora do apartamento de baixo dizendo que estava gotejando água em sua casa e pedindo para desligar a torneira! ("Sta sgocciolando tutto l'acqua nel mio appartamento. Potresti chiudere, per favore!")Em breve haverá uma foto deste bilhete no álbum de fotos "Casa 2"! O bilhete teve um complemento ("brutto cabasso d'un caffettino") do Gabriel que descobriu que cabaço em português pode ser um palavrão e que cafetino não significa um café pequeno como aqui na Itália. Assim, cabaço do cafetino se tornou um novo xingamento aqui em Milão.A pobrezinha até se ofereceu para nos ajudar a enxugar a casa quando viu o estado do alagamento. O Jeff e o Henrique chegaram antes e adiantaram o trabalho, mas quando cheguei do trabalho, por volta das 03:00 horas, ainda tinha bastante trabalho a ser feito. Mas que sirva de lição a todos nós!