Tuesday, December 13, 2005

Tracy Chapman

10/12/2005

Em julho, durante a viagem que fiz com a Bambina (Camila Agustini) à Treviso, para ver o show do B.B. King, comentamos que, tendo em vista os excelentes shows aos quais tivemos oportunidade de assistir aqui na Europa, seria inesquecível se houvesse um show da Tracy Chapman, uma vez que foi ela, a Bambina, quem me mostrou com mais calma o trabalho da Tracy. Duas semanas depois, vi o anúncio na internet do único concerto da Tracy Chapman aqui na Itália, em Milão, no Teatro Smeraldo, mesmo lugar aonde, há cerca de 5 meses, fui assistir ao Chuck Berry. Imediatamente dirigi-me à bilheteria do Teatro Smeraldo para comprar os bilhetes para o show. Com a proximidade da data do show, a Bambina se deu conta de que sua passagem de retorno ao Brasil vencia antes do dia 10 de dezembro e correu para prorrogá-la. No entanto, apesar de ter conseguido protelar seu retorno ao Brasil, por caso fortuito não pôde vir a Milão no dia do espetáculo e rapidamente tive que procurar outra pessoa para ir comigo ou vender o ingresso. Até consegui um comprador, mas preferi chamar a Elena que, na última hora pegou um resfriado e não podia sair de casa. Como sempre, calhou de o Marco Big Bimba estar vindo para Milão e, como ele já me acompanhou em shows de peso (Nevermore e Testament), pensei que seria o momento de dar a ele um show relaxante e mais suave. Fomos o Big e mim assistir à Tracy Chapman!
Apesar do atraso de quase uma hora para começar, o show foi excelente com um set list bem escolhido. Os pontos fracos foram os dois sujeitos que acompanhavam a Tracy e a fraca produção do palco e do show em si. Um perscussionista que tocava bem, mas não fez belos arranjos para as canções mais antigas e acabou por até mesmo tirar a energia de algumas canções que ficaram um pouco apagadas por isso, e um tecladista-guitarrista que fazia as vezes do baixo, mas que era absolutamente dispensável. A produção do palco era muito simples e não tinha qualquer efeito sobre a platéia, tampouco interação com as músicas, além de haver sempre um silêncio constrangedor entre as músicas, sem qualquer efeito sonoro ou palavras da Tracy ao público. Em que pese o fato de Tracy não ser um exemplo de presença de palco, tem uma bela postura e consegue comover o público só com sua voz e suas canções com belos textos, quase sempre românticos ou de protesto. De fato, se o show fosse no modelo "voz e violão", bastaria e seria talvez mais emocionante, uma vez que o espetáculo todo gira em torno da interpretação e da voz de Tracy. Aliás, que voz!
A divulgação do novo álbum, Where You Live, lançado em setembro do corrente ano, deu-se com apenas quatro canções novas, quais sejam, Change, cantada por todos, Talk to You, America, com Tracy tocando também percussão, e Don’t Dwell.
De seu disco de maior sucesso, como não poderiam estar de fora do repertório, Fast Car, Baby Can I Hold You, She's Got Her Ticket, Why? e Talking About Revolution. Mas a canção deste trabalho que realmente chega a extirpar lágrimas é o solo vocal de Behind the Wall. Impossível não se emocionar com a força da voz de Tracy ao vivo e com a profundidade de sua interpretação, sendo este tipo de sensação, de arrepio na alma que faz valer cada centavo de euro pago pelo espetáculo.
Do álbum Telling Stories, tocaram somente a música titulo do àlbum; Do Let It Rain, Say Hallelujah; Do disco New Beginning, a belíssima The Promisse, executada só com violão e voz e, para o bis, uma versão um pouco mais agitada do que a original do magnifico blues Give Me One Reason. Para finalizar, uma versão toda Tracy Chapman da conhecidissima balada Stand By Me, de Ben E. King.
Realmente um show inesquecível, de uma voz poderosa e encantadora que nem mesmo os pequenos problemas técnicos conseguem ofuscar. Depois do show rolou um happy hour em casa, mas não vieram muitas pessoas, somente estávamos eu, o Big Bimba, Rubinho, Neto, Jampa, Henrique e Gabriel. Mas deu para se divertir um pouco, beber e curtir os amigos.

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