Thursday, February 23, 2006

G.R.E.S. Feliz da Vida

17 a 21.02.2006

Semana de muito trabalho entre IKEA e sorveteria, sendo que no último domingo trabalhei cerca de 12 horas, no IKEA de manhã e à tarde, e na sorveteria à noite. Mas o que importa é a saúde e o espírito indomável. O resto corremos atrás!
Em casa está rolando uma reforma no banheiro, que perdurará até o dia 27, mais ou menos. O interessante é que para essa reforma foi bloqueada a água para todo o apartamento, de maneira que estamos vivendo a situação bárbara de ter que escovar os dentes no trabalho, tomar banho na casa da vizinha e fazer cocô no McDonalds! Excelente!
Mas vamos ao que interessa: G.R.E.S. Feliz da Vida. Hoje fui ao ensaio da bateria e toquei surdo. Claro que por ser meu primeiro ensaio com o pessoal não fiz maravilhas, mas tenho certeza de que com o tempo virá o entrosamento e nos apresentaremos em vários lugares pela Itália. A bateria não é muito grande, composta por cerca de 15 pessoas, mas todos muito simpáticos, que adoram tocar percussão e se divertem fazendo isso. O ensaio durou cerca de 2 horas e foi realizado no Barrios, uma espécie de centro social muito legal com diversas salas, auditórios e espaços para eventos.
Quem me convidou e me levou até lá foi o Roberto, gente finíssima, com o qual certamente farei parceria para alguns eventos. Já tenho em mente diversas idéias que, se tudo der certo, em breve se concretizarão!
No próximo dia 18 de março já marcamos uma festa no espaço bar do Barrios, quando possivelmente apresentaremos a bateria e, se conseguirmos instrumentos decentes, tocaremos eu e o Neto algumas canções brasileiras no estilo violão e voz. Ainda não temos nada decidido, mas estamos ensaiando.
Por fim, no próximo final de semana meu pai vai visitar o Marco em Vicenza e, juntos, pretendem ir ao carnaval de Venezia. Infelizmente não poderei ir, pois sábado será aniversário do Lucas e trabalharei domingo. Mas não me faltarão oportunidades e tenho certeza de que meu pai e meu irmão irão se divertir bastante! O importante é o Master Bimba aproveitar bastante essa estada na Itália e relaxar um pouco do stress de São Paulo, do trabalho e de tudo o mais.

Thursday, February 16, 2006

IKEA

09 a 16.02.2006

Deixei meu curriculum em uma agência de trabalho temporário, Generale Industrielle, a mesma que empregou meu irmão em Vicenza. Em duas semanas me propuseram participar de uma seleção para um emprego no IKEA, famosa empresa sueca de móveis e utensílios domésticos.
O processo seletivo durou toda uma tarde, com dinâmica de grupo, testes e entrevista individual. Fiquei contente, pois, mesmo disputando vaga com um albanês e outros quinze italianos, fui aprovado! O que me deixou curioso foi o fato de, quando da assinatura do contrato de trabalho junto à Generale Industrielle, a mulher que me atendeu regalou-me, pelo novo emprego, um baralho! Qual o nexo entre um novo emprego e jogar baralho ainda não descobri, mas talvez não exista mesmo um nexo e isso sirva somente de presentinho promocional.
O trabalho não exige nenhum grande conhecimento, tampouco inteligência, mas somente simpatia, agilidade e bom senso (na visão moderna e coloquial de bom senso, e não aquela de Renè Descartes). Além disso, é uma função que trata diretamente com o público e me permite ter contato com outras áreas do IKEA, para o caso de futuramente pretender me transferir para uma seção mais interessante.
Por enquanto o trabalho é a tempo parcial, com o máximo de 16 horas semanais, mas ganho consideravelmente mais em relação à Gelacreperia e o ambiente é incomparavelmente melhor. Entanto, ainda não deixei a Gelacreperia, pois serve como complemento aos meus rendimentos até que encontre algo melhor para preencher a lacuna de horários deixada pelo IKEA.
Outra coisa boa é que, por ser funcionário, posso almoçar no IKEA por apenas 1 euro, entrada, primeiro prato, segundo prato, sobremesa e tudo o mais! Isso sem mencionar que posso deixar barba, não preciso usar aquele bonezinho ridículo que uso na Gelacreperia e o uniforme é belo e de qualidade, incluindo os sapatos!
No mais, em relação a trabalho, estou correndo atrás de outras oportunidades, mas prefiro comentar quando tiver algo certo, para não gerar uma expectativa frustrada.
Mudando de assunto, no último domingo fui com o Rubinho, Emerson e Jampa ao 7º Encontro IBRIT (Instituto Brasil-Itália) e conheci muita gente nova, todos gente boníssima. O organizador, também de nome Emerson, foi super simpático e já tenho algumas idéias de eventos para discutir com ele, usando o espaço do IBRIT para realizá-los. Neste mesmo dia tive que trabalhar na Gelacreperia à noite e, para minha surpresa, apareceram por lá duas amigas que havia feito no IBRIT, Roberta e Bethania. Muito legal! Bethania é baiana, casada com um italiano que fala muito bem português, com sotaque baiano, inclusive usando palavras como "fia"!Quanto ao apartamento novo, está tudo muito bem! Já fiz dois encontros da galera aqui, sendo que no primeiro veio até meu pai e no último consegui apresentar ao resto da turma um casal de amigos que conheci na Gelacreperia (Felipe e Débora), bem como o grande Roberto "Feliz da Vida" e sua namorada Carla. "Feliz da Vida" porque ele organiza aqui em Milão um G.R.E.S. chamado Feliz da Vida, além de festas e outras coisas ligadas à cultura brasileira. Em outras palavras, um Bimba italiano! Sim, sim, ele é italiano e fala português melhor do que eu!! Fotos destes encontros podem ser vistas no álbum "Casa 3", acessando o link "Bimbando nas Fotos", disposto neste blog.

Thursday, February 09, 2006

Chico Cesar e Ray Lema

08.02.2006

O Teatro dal Verme organizou um festival internacional de música com o título Incroci Sonori (cruzamentos sonoros), no qual busca integrar elementos de diversos estilos musicais, etnias e origens, em improvisações e experimentos sempre tendentes ao jazz. O próprio slogan do festival remete a isso: "se non sai cos'è, allora é jazz" (se não sabe o que é, então é jazz).
Nesta fria noite de quarta-feira o encontro musical não poderia ser mais convidativo, a ponto de nos fazer sair de casa. Ray Lema, original do Congo, um exímio percussionista e pianista, com fortes inspirações da música étnica de suas raizes, mas formação clássica no piano e influências do jazz que veio a conhecer durante o tempo em que morou nos Estados Unidos, apresentar-se-ia com Chico César, nanico brasileiro que dispensa apresentações.
Uma mistura realmente interessante, que por quase 2 horas de concerto prendeu a atenção do público presente, em sua maioria formado por italianos.
Eu, meu pai, Rubinho, Flora, Júlia e Lucas (Negão), encontramo-nos por volta das 20:30 horas para pegar um bom lugar, sendo que o show começaria às 21:00 horas. Eu e o Master Bimba chegamos um pouquinho antes e já encontramos o Chico César no bar do teatro. Aproveitei para dar umas dicas para ele não ficar nervoso antes da apresentação e fazer um bom espetáculo!
Pegamos realmente um bom lugar e, por volta das 21:10 horas começa o show com Ray Lema, piano e voz, e Chico Cesar, violão e voz. A primeira música foi uma mistura rearranjada de uma canção africana e Béradêro, canção famosa de Chico César por sua interpretação em solo de voz. Logo após apresentaram uma canção que certamente foi composta pelos dois, em parceria, pois a letra fazia menção à África e ao Brasil. Mais adiante, novamente mostraram uma outra composição conjunta que trata da amizade entre uma pessoa do Congo e outra de Catolé do Rocha (Paraíba), cidade-natal de Chico César.
Entre diversas músicas em francês-africano, interessantíssimas num arranjo jazz, tivemos oportunidade de escutar também algumas canções brasileiras como, por exemplo, Asa Branca, além de algumas composições do próprio Chico César. E foi exatamente neste momento que todo o teatro descobriu que éramos brasileros, pela forma de manifestar nossa alegria em escutar essas canções. No meio de um teatro cheio de europeus finos e educados, fomos o centro da atenção por alguns momentos ao cantar em voz alta Mama África e À Primeira Vista, batendo palma e balançando os braços pro alto. E olha que até o Master Bimba entrou nessa! Isso sem contar a atitude brasileira de, ao requerer "bis", bater fortemente e repetidamente, em ritmo alucinante, os pés no chão, batendo palmas. Mas ao final, por mais que nos olhassem assustados, todos gostaram da idéia, levantaram-se e se puseram a dançar no "bis" de Mama África!
Depois do show fomos até o camarim conversar com o Chico e com o Ray. Ficamos um bom quarto de hora falando com eles, fizemos algumas fotos e fomos embora. Importante mencionar que a Julia, num impulso cleptomaniaco, subtraiu uma garrafa d'àgua do camarim!
Realmente foi um show muito interessante que comprovou mais uma vez a versatilidade do Chico César como músico e me fez conhecer o Ray Lema que, além de ser uma pessoa simpaticíssima, é um músico muito competente e que, de fato, toca com a alma. Segundo o Chico me afirmou, em março ele volta à Europa para apresentar-se com sua banda. Esperamos, então, pequeno grande Nanico!

Thursday, February 02, 2006

Casa Nova Again

01.02.2006

E já começam as mudanças em 2006! Hoje mesmo comecei a levar minhas coisas para a nova casa. Depois de alguns problemas envolvendo o relacionamento com meu chefe, levando-se em conta que o contrato de aluguel do apartamento que moro hoje está em seu nome, decidimos por bem, eu e o Frodinho (Henrique), mudarmos de casa, começando assim o que chamamos de "A Grande Desvinculação do Pamonha Alienígena" (AGDPA). O primeiro passo é desvincular-me de dito cujo mudando de residência. O segundo e último passo é mudar de trabalho.
Para tanto, tive uma séria conversa com o indivíduo em questão, alertando-o de minha súbita mudança de residência, de minhas reais intenções laborativas (não ser sorveteiro cabaço a vida toda) e que a partir de março não mais estarei disponível para trabalho aos finais de semana, incluindo sexta-feira. Minha postura foi bem definida e imperativa, no melhor estilo "Cala a boca e sai andando, sem ohar pra trás!", de modo que o elemento aceitou tudo e até se propôs a me ajudar em alguns aspectos. Medo, medo.... Agradeci, mas não aceitei sua ajuda. Não se trata de orgulho ou de ingratidão, pois quando eu precisei ele me ajudou bastante. Ocorre que os chefes italianos, em sua maioria, dão uma mão por um dia e cobram dois braços por dez anos. Portanto, tive que agir assim, como parte do processo AGDPA, para começar a galgar minha vida aqui, sem precisar dever nada a ninguém, ao menos nesse busílis.
Voltaremos a morar com o Salvatore, aquele italiano gente boníssima com o qual morei nos primeiros meses aqui na Itália. O mesmo que permitiu com que o Big Bimba ficasse morando comigo por mais de um mês sem pagar aluguel. O Salvatore comprou uma casa nova e, para pagar as prestações convidou-me para morar com ele e, como deu a possibilidade de trazer uma outra pessoa, chamei o Frodo, que está comigo há um bom tempo nesse rolo todo de moradia. O novo apartamento é muito bem localizado, com tudo perto, novíssimo, completo. Tenho certeza de que nos daremos bem lá, além do que, conforme comentou o Salvatore, a partir de junho pode ser que ele volte para sua cidade-natal, na Sicília, e, se assim ocorrer, voltamos a morar sozinhos de novo, eu e o Frodo.Quanto ao trabalho, já estou distribuindo meu curiculum por Milão e provavelmente nesta ou na próxima semana farei algumas entrevistas. Vejo a luz no fim do túnel, irmãos! Faltou luz, mas era dia!

Fiscalização

22.01 a 31.01.2006

Estes últimos dias foram essenciais para a adaptação de meu pai aqui em Milão. Praticamente tudo o que deveria acontecer de diferente e imprevisto aconteceu e, de certa forma, serviu para testá-lo nesta fase inicial. Tirando o fato de ter que morar sozinho por ao menos 5 meses, que por si só traz mudanças radicais na vida de meu pai, como por exemplo fazer comida todos os dias, lavar roupas, comprar produtos de limpeza, sistematizar tudo etc, e sem mencionar todas as incertezas do desenrolar do doutorado, ao menos duas passagens fazem-se indispensáveis narrar neste blog.
A primeira ocorreu quando eu ensinava meu pai a pegar o bonde sem pagar passagem, pois a coisa mais difícil de encontrar nos meios de transportes aqui é fiscalização e, como todo bom brasileiro, utilizo-me às vezes deste recurso para me locomover. Pois bem, eis que estávamos em um bonde, sem ter validado o bilhete, o que nos permitiria utilizá-lo uma vez mais, quando entram cerca de 5 fiscais e começam a pedir os bilhetes dos passageiros para conferirem suas validades. Meu pai começou a ficar um pouco nervoso e queria a todo custo validar nosso bilhete na máquina que se encontrava a um passo de nós, no que eu o alertei: "Agora é tarde, pai. Se tentarmos validar os bilhetes diante dos fiscais, com certeza eles vão nos pegar. Guarde os bilhetes, aja naturalmente e, quando eu der o sinal, saltamos do bonde!". Deveríamos esperar o momento exato do bonde parar no próximo ponto, rezando para os fiscais tardarem a chegar até nossos assentos, para descermos do bonde. Felizmente, segundos antes do fiscal nos pedir o bilhete, o bonde parou no ponto, abriu as portas e saímos correndo. Bárbaro! Neste momento, resolvemos fazer uma pausa para o almoço, pois já havíamos rodado bastante por Milão e meu pai precisava recompor suas energias e recuperar-se do nervoso vivido nessa situação de perigo iminente. Justo ele, tão honesto e sempre buscando fazer as coisas corretamente, viu-se numa situação como essa.A segunda passagem interessante destes últimos dias foi o fato de ter nevado como há pelo menos 20 anos não nevava na Itália! Dois dias seguidos de neve sem trégua, que gerou cerca de um metro de neve por terra. No primeiro dia de neve meu pai ficou um pouco receoso em sair de casa, mas no segundo dia não havia mais como protelar algumas tarefas, tais como fazer o Codice Fiscale (CPF) e o abbonamento ATM (carteira de passes para usar nos meios de transporte milaneses), pois isso acabava por emperrar todas as outras coisas que meu pai precisava fazer. Assim, saímos na neve, numa verdadeira romaria para conseguir resolver esses problemas, mas ao fim resolvemos tudo e agora as coisas começam a entrar nos trilhos.