Wednesday, March 15, 2006

Segurança

05.03 a 14.03.2006

Um dos meus novos trabalhos paralelos é fazer a segurança (buttafuori) em festas privadas, acreditem se quiser. A irmã do Pamonha Alienígena, uma mocinha dotada de um cérebro de isopor, que se assemelha à apresentadora dos Contos da Crypta e que tem a voz de quem parece que acabou de inalar gás hélio, organizou uma festa e me chamou para fazer a segurança junto a Adamo, um senegalês de 4 metros de altura. Eu disse "organizou"? Errei, pois em verdade ela desorganizou uma festa. Desde o momento da entrada até a saída dos convidados, o que imperava era a desorganização e falta de profissionalismo, sendo que até mesmo um dos convidados comentou comigo que aquilo parecia o terrível filme "Pague Para Entrar, Reze Para Sair". O bom de tudo isso é que ganhei em uma noite mais do que o dobro que ganharia na Gelacreperia e fiz diversas amizades. Meu trabalho resumia-se em controlar a entrada das pessoas segundo uma marca feita na mão.
Uma única situação de efetiva segurança ocorreu quando senti as pessoas chamarem "Buttafuori! Buttafuori! Vieni qua! Veloce!". Havia um início de briga entre dois rapazes, mas com minha tática brasileira, consegui apartar a briga e ainda por cima fazer amizade com os dois sujeitos, que passavam para me comprimentar a todo momento, ainda mais quando descobriram que eu sou brasileiro e vinham falar espanhol comigo. Bárbaro!
Em relação à festa brasileira do próximo dia 18, está confirmafa a apresentação da banda Ovelhas Bimbônicas, com o que há de melhor na Música Popular Brasileira Moderna. Estamos ensaiando bastante e esperamos fazer um concerto ao menos decente, pois isso abrirá novas portas para apresentações em outros bares e pubs. Em breve criaremos um site para divulgar nosso trabalho e, rumo ao profissionalismo, já adquiri um violão elétrico Yamaha e em breve penso em adquirir amplificador, microfone e pedestal para poder ter o equipamento necessário para apresentarmo-nos em qualquer lugar de Milão e da Itália. Será mais uma fonte de renda e de diversão ao mesmo tempo!
No âmbito psicomulherio e amistoso, estou contente com a súbita vinda de minha amiga Donata aqui em Milão. Ela havia partido para Nova Iorque para um estágio de cerca de 3 meses e depois retornaria à Sicilia, aonde vive sua família. Mas acabou em Milão, procurando trabalho, uma vez que fez mestrado em organização de eventos e aqui é bem mais fácil trabalhar com isso do que na Sicília. Estou ajudando ela a encontrar um lugar para morar e dando um apoio na adaptação dela à cidade. Ela é uma das pessoas que mais se parece com um brasileiro no que tange á personalidade, caráter, modo de ser e pensar. Parece-me que isso é geral com os italianos do sul, e é bom ter amigos assim aqui na Itália. Espero realmente que em breve ela consiga um bom trabalho e um bom lugar para morar.

Carnaval

22.02 a 04.03.2006

Quantas saudades do carnaval brasileiro... Se meu pai e meu irmão não tivessem ido a Venezia, certamente eu pensaria que aqui não existe carnaval, pois não existem grandes festas, comemorações ou qualquer outro tipo de manifestação realmente carnavalesca. O que se vê por aqui é um único dia de carnaval, quando as pessoas saem às ruas com as fantasias mais toscas possíveis, sem qualquer som rolando, andando prá lá e prá cá. Sabe aquele típico playboyzinho que para não queimar o filme, vai numa festa à fantasia com a roupinha mais idiota e simples que tem só para dizer que está fantasiado? Então, as fantasias aqui seguem mais ou menos essa linha.
E lembrar que há um ano eu estava em Santa Rita do Sapucaí (MG), curtindo com toda minha família um dos melhores carnavais de minha vida...
O único evento diferente e divertido neste carnaval foi o fato de o G.R.E.S. Feliz da Vida ter sido contratado pela prefeitura de Cassinetta de Lugagnano, uma cidadela vizinha de Milão, para tocar no carnaval de rua deles. A cidade é daquelas bem pequenas, com a igreja ao centro e as casas em volta, praticamente sem comércio, aonde nunca acontece nada e qualquer evento se torna um espetáculo. E assim foi nossa apresentação, circulando pelas ruas da cidade, seguidos por tratores repletos de crianças na caçamba e seus familiares acompanhando o trajeto a pé, todos fantasiados, jogando confetes, serpentinas e espirrando o maldito spray de espuma em todos. Foi gratificante ver a alegria e admiração não só das crianças, mas dos pais, avós e de todos que saiam nas janelas das casas para nos saudar e ver a escola de samba passar. Ganhamos quase nada, mas foi muito legal e gratificante!
Quanto ao carnaval do Big e do Master Bimba em Venezia não posso contar muito, pois não estava junto a eles. Mas sei que não há música, nada parecido com um trio elétrico, e todos circulam fantasiados, mas com fantasias realmente caras e trabalhadas, geralmente em estilo medieval, com as famosas e tradicionais máscaras. Tanto o Big quanto meu pai compraram máscaras para entrarem no clima carnavalesco de Venezia e as fotos podem ser conferidas através do link "Bimbando nas Fotos", álbum "Venezia".
Em relação ao trabalho, estou praticamente saindo da Gelacreperia, chegando finalmente à conclusão d´AGDPA (A Grande Desvinculação do Pamonha Alienígena). Como trabalho também no IKEA, dou preferência a este trabalho e espero sempre sair a programação de meu turno no IKEA para dizer ao Pamonha Alienígena quais dias tenho livre para trabalhar na sorveteria. Assim, inverti as regras do jogo, dizendo a ele quando quero trabalhar na Gelacreperia, aproveitando ainda para ficar sempre livre aos sábados. Isso tem deixado o PA um pouco nervoso, pois ele gosta de ter o controle da situação, e tenho estado na Gelacreperia somente aos domingos à noite. Penso que a partir do mês que vem, não trabalharei mais com ele, tendo em vista o treinamento que vem ocorrendo de outras pessoas para entrarem no meu lugar. O fato é que nenhuma dessas pessoas tem se saído bem até agora...All the way, tenho feitos outros bicos e ainda mandando currículos em busca de um trabalho decente, onde possa utilizar inteligência e criatividade, pois já estou há quase um ano na Itália, tempo mais do que suficiente para começar a galgar novos patamares e deixar de fazer serviços primários, ainda que interessantes e importantes.