Sunday, May 21, 2006

Portofino

17 e 18.05.2006

Calhou de eu ter praticamente dois dias livres, sem ter que trabalhar nem no IKEA, nem na Gelacreperia, nem no teatro, tampouco fazer qualquer bico. Como aqui está fazendo um baita calor nos últimos dias e estava precisando renovar as energias, perguntei ao Son (Emerson, que mora comigo) se ele estava a fim de ir à praia, já que ainda não está trabalhando e, portanto, também teria o dia livre. Ele aceitou e logo escolhemos ir para San Remo. Como o bilhete de trem até San Remo estava um pouco caro, decidimos ir para Portofino, um dos lugares mais belos da Riviera Ligure, concorrendo somente com Cinque Terre.
O Promontorio di Portofino situa-se é um parque natural (Parco Naturale Regionale di Portofino) que começa em Santa Margherita Ligure e, seguindo a costa marítima, vai até Camogli. Entre diversas praias, na ponta do Promontorio, situa-se a praia de Portofino, aonde se tem uma belíssima visão panorâmica do Mar da Ligúria e aonde está o farol. Nossa idéia era caminhar dé S. Margherita a Camogli, mas quando chegamos a um determinado ponto descobrimos que para continuar a trilha deveríamos pegar um barco. Assim, acabamos ficando na praia de Portofino para almoçar e passamos a tarde em uma praia em Santa Margherita, tomando um solzinho e mergulhando no gélido mar transparente.
A Praia de Portofino tem uma pequena entrada de mar aonde ancoram-se diversos barcos pequenos e iates um pouco maiores. Neste pequeno porto há uma pracinha, típica italiana, com diversos restaurantes e café, mesinhas e cadeiras ao sol, turistas estrangeiros por todos os lados, aonde almoçamos. Continuamos caminhando um pouco por trilhas panorâmicas até retornarmos à Santa Margherita e nos esticarmos numa das praias e tomar sol até cansar. Entramos no mar e quase congelamos, mas suportamos e logo renovamos todas as energias possíveis! No final da tarde fomos comer focacce no centro de San Margherita e ficamos trocando idéia no calçadão em frente à praia até o Sol começar a ir embora.
Pegamos o trem para Genova e fomos nos encontrar com as Primas (Lara, Paula e Tricia), pois havíamos combinado de fazer uma baladinha juntos e de dormir por lá. Jantamos uma coisa feita pela prima Lara e pela Ilária, amiga das Primas, que ainda não consegui definir o que é, mas que estava bom. Depois fomos para uma baladinha tosca no Porto Antico di Genova cujos seguranças não queriam nos deixar entrar de bermuda e Havaianas! Depois de meia hora esperando, entramos pelos fundos e curtimos nossos dias assim mesmo.
Acordamos e voltamos a Milão, eu direto para o IKEA trabalhar e o Son para casa descansar. Fotos disponíveis através do link "Bimbando nas Fotos", álbuns "Genova", S. Margherita" e "Portofino".

Giganti

14.05.2006

Finda a temporada da ópera Don Giovanni, entra em cena no CRT o espetáculo "Facciamo Nostri Questi Giganti", uma adaptação cênica da obra "Giganti Della Montagna" de Luigi Pirandello, numa mistura de teatro, ópera e dança, criado por Marco Isidori e interpretado pelo grupo Marcido Marcidorjs e Famosa Mimosa. Não trabalhei no teatro durante esta peça, mas excepcionalmente esta noite a Anna, mocinha que também trabalha no CRT, não poderia comparecer e estive em seu lugar.
A peça é muito interessante, principalmente a parte cenográfica e musical, ambas muito criativas, mas há muitos momentos noiosos e pouco dinâmicos que a tornam um pouco cansativa, tendo em vista sua duração de 2 horas.
O bárbaro desta noite é que, por acaso, deparei-me com diversos fãs e amigos. O Federico, que toca conosco na G.R.E.S. Feliz da Vida, esteve presente para a peça; uma moça veio falar comigo, pois eu já lhe havia servido sorvetes e crepes ao menos 3 vezes na Gelacreperia; um outro rapaz veio falar comigo porque me reconheceu do IKEA; duas amigas vieram me cumprimentar pelo show que fizemos na festa da noite anterior e, por fim, um rapaz que já me viu ttrabalhando na Gelaccreperia, no IKEA e em uma festa privada perguntou-me se eu estou por toda parte ("Ma tu sei ovunque?")!
Em relação à Gelacreperia, apesar das pequenas desavenças pessoais com o Pamonha Alienígena, mantive sempre um bom contato e continuei trabalhando ao menos uma vez por semana lá, de modo que tenho ao menos uma fonte de renda garantida, tendo em vista que meu contrato com o IKEA é temporário e a temporada do Teatro é praticamente terminada.
Fiz uma enrevista na semana retrasada no Consulado Brasileiro, mas quem pegou a vaga foi o filho de um amigo do sobrinho do afilhado do Cônsul, ou coisa parecida, o que já era de se esperar.Em casa está tudo perfeito e parece que o Son conseguiu um emprego num hotel muito bom! Apesar de estar aqui há somente 3 meses, ele já aprendeu bem o italiano e distribuiu curriculos por toda Milão, sendo mais do que merecido um bom trabalho a ele.

Brasil 360° - 2ª edição

13.05.2006

Após o sucesso da primeira edição da festa Brasil 360°, eis que realizamos a segunda edição com um sucesso ainda maior. De fato, havia mais pessoas do que na primeira, vendemos mais bebida e mais salgados e a animação foi ainda mais intensa! E é interessante ressaltar que não tivemos tempo suficiente para fazer flyers e, portanto, a propaganda foi feita somente através de e-mail, sms e no famoso e infalível boca-a-boca, sendo essa uma das mais eficazes uma vez que muitíssimas pessoa presentes na primeira edição vieram para a segunda e trouxeram outros amigos. Vieram amigos brasileiros, italianos, portugueses, palestinos, espanhóis, da Gelacreperia, do IKEA, do CRT Teatro Dell'Arte e de toda a parte!
Como sempre, começamos a festa com música ambiente conduzida pelo DJ Maffi. Por volta das 22:30 horas os Ovelhas Bimbônicas subiram ao palco para apresentar seu repertório de MPB e rock\pop brasileiros. A diferença em relação à primeira apresentação dos Ovelhas deu-se pela presença do Macaquinho (Patrick) no violão e no contra-baixo e do convidado especial, que poderá se tornar membro permanente, Andrea de Micheli, no saxofone. Outra novidade é que comprei um tiracolo para o violão e toquei em pé, o que me permitiu maior mobilidade e me deixou mais à vontade para tocar, cantar, dançar e me comunicar com o público, estando deste modo mais perto dos fãs. Com tudo isso, as músicas tomaram mais forma e antigas canções ganharam um arranjo diverso. O show começou com Se... (Djavan), Te Devoro (Djavan) e Lenha (Zeca Baleiro). Realmente a presença do Macaquinho e do Andrea nestas canções fez uma imensa diferença, deixando-as muito melhores. Após, Garotos II (Leoni) Telegrama (Zeca Baleiro) e Vamos Fugir (Gilberto Gil). Como último momento relax do show, interpretei na voz e violão A Prosa Impúrpura do Caicó (Chico César) com o acompanhamento do Andrea ao saxofone. Sempre Assim (Jota Quest), Apenas Mais Uma de Amor (Lulu Santos), Toda Forma de Amor (Lulu Santos), Vapor Barato (O Rappa) e Pescador de Ilusões (O Rappa) deram uma boa agitada no pessoal e Tudo Que Vai (Capital Inicial) encerrou o set. O show foi mais curto do que o primeiro, pois o local está sofrendo ameaças da vizinhança pelo barulho excessivo e teme o encerramento forçado de suas atividades. Infelizmente tivemos que cortar três canções da lista, mas o pessoal se divertiu da mesma forma, ainda que, a meu ver, temos muitos detalhes a acertar, sejam eles relativos ao som ou à execução das músicas.
Após cerca de meia hora com o DJ Maffi, entra em cena o G.R.E.S. Feliz da Vida com sua tradicional batucada, do samba ao reggae, do funk ao pagode. A novidade desta vez é que entrei cantando "Que Beleza" (Tim Maia) e, com o auxílio do Alê, nosso amigo que mora junto com o Macaquinho e com o Marlon , nos pandeiros, executamos três sambas enredo famosos que levantaram a galera, extasiada pela presença da quase-mulata, Ane, dançando em trajes carnavalescos no meio da galera. Cantamos o mais que conhecido samba enredo da Gaviões da Fiel ("Me dê a mão, me abraça, viaja comigo pro céu..."), da Salgueiro ("Explode coração na maior felicidade, é lindo o meu Salgueiro...") e da Mangueira ("Diga espelho meu se há na avenida alguém mais feliz que eu..."). Neste ponto a temperatura da casa já estava a cerca de 50 graus Celsius, mas as pessoas não paravam de pular e cantar. Em função do horário, tivemos que parar com a batucada, mas a música do DJ Maffi continuou até o final da festa.Com certeza para a terceira edição da Brasil 360° não poderemos nos utilizar do Caffè Barrios, pois o lugar se tornou pequeno para a dimensão que o evento está tomando. Provavelmente a próxima festa será em julho. Fotos do evento através do link "Bimbando nas Fotos", álbum "Brasil 360 II".

Tuesday, May 16, 2006

Don Giovanni

26.04 a 12.05.2006

Finda a mostra de Velasco no CRT Teatro Dell'Arte, fui convidado para trabalhar, não pela Italian Factory, mas pelo e no próprio CRT, durante a temporada da ópera Don Giovanni de Mozart e, claro, como não confrontava com meus horários no IKEA e me permitia ir de vez em quando na Gelacreperia, aceitei o convite.
Trata-se de uma montagem adaptada para crianças da famosa ópera de Mozart, organizada pela AsLiCo (Associazione Lirica e Concertistica Italiana). Assim, o público é formado por grupos de escolas com crianças de 5 a 12 anos de idade e seus professores. Para organizar a entrada e saída é um caos, mas somos em quatro e conseguimos controlar a pivetada.
Sempre tem algum molequinho que me pergunta se sou o Don Giovanni e respondo que não, que sou apenas o segurança contratado para destruir moleques que fazem bagunça e não respeitam as ordens dos professores. É suficiente para deixá-los tranquilos.
O interessante desta montagem adaptada é que não mudou a ópera original, mas tão-somente reduziu as partes instrumentais e alguns diálogos, mantendo as partes principais da história e as canções mais marcantes. As crianças participam em vários momentos da ópera, cantando junto, levantando flores, abrindo guarda-chuvas e colocando capuzes de acordo com o momento da encenação. Muito legal!
Eu mesmo já decorei quase toda a ópera, pois a assistia duas vezes por dia! Cheguei ao ponto de saber o momento exato da troca de cenário, do início do canto das crianças e de perceber quais os melhores atores e cantores para um cast perfeito, uma vez que eles se revezavem em dois casts para repouso.
É interessante notar também como as crianças se envolvem com a história e, ao final, quando dos aplausos, aplaudem mais uns atores que outros, de acordo com o personagem, chegando muitas vezes a uivar Don Giovanni pelo seu caráter. O mais aplaudido sempre é o ator que faz o papel de Leporello. Após o espetáculo tem sempre uma classe que me pede para ir ao camarim entregar desenhos, cartinhas e pegar autõgrafos não do ator ou do cantor, mas de Leporello, de Don Giovanni, Zerlina, Donna Anna e dos demais personagens.
Meu trabalho com a ópera termina no dia 14 de maio, mas o Andrea, responsável pelo teatro, disse que tem uma proposta a me fazer para trabalhar no teatro, como contratado. Eu disse que me interessa, mas ainda devemos conversar e discutir alguns pontos. Esperemos novidades para breve!
Como diria Leporello: "Voglio far il gentiluomo, e non voglio più servir, ma mi par che venga gente e non mi voglio far sentir..."

Frodinho

25.04.2006

Deu a louca no Frodinho e, do dia para a noite, ele resolveu se mandar para Londres! Em verdade ele já havia pensado nisso, mas a idéia inicial era se transferir em outubro ou novembro. Ocorre que, há uma cerca de uma semana e meia, ele foi a Londres para o aniversário de um amigo e para a despedida de outros que retornavam ao Brasil, e se deu conta de que realmente a capital inglesa é o seu lugar no mundo. Antecipou sua mudança e se mandou!
O que falar do Henricão, pequeno Frodo, que foi por um bom tempo meu grande companheiro aqui em Milão?
Moramos juntos por um bom tempo e sempre conversávamos sobre todos os assuntos possíveis, nos ajudávamos nas dificuldades cotidianas, seja naquelas pequenas e insignificantes (econômicas e práticas) que nas maiores e mais importantes (relacionamentos, futuro, objetivos). Ele sempre foi um bom conselheiro e o único a realmente me dar uma prensa quando eu me acomodava e algumas situações nas quais não se pode deixar vencer pelo comodismo.
O Frodão também me ajudou muito no âmbito psicomulherio, com seus conselhos sempre pertinentes e sua visão imparcial, além de ter sido crucial para nossa última mudança de casa. Com aquele problema da água que vasou para o apartamento de baixo, as picaretagens do Pamonha Alienígena e todo o rolo daquele momento, as conversas e decisões tomadas em conjunto com o Frodex foram determinantes para o sucesso da operação. Ressalte-se ainda a ajuda das cartas! Sim, o Frodinho não só tem o poder do anel, mas é uma espécie de Mãe Dinah, de Valter Mercato, de João Bidu, e lia as cartas de tarô de vez em quando para nós e as cartas já haviam indicado esta mudança de residência e até mesmo de trabalho!
No dia precedente à partida do Frô fizemos uma pizzada aqui em casa para despedirmo-nos dele. Pela primeira vez o Salvatore estava presente nestas bagunças que fazemos aqui em casa e, por sorte (ou má-sorte, para ele) foi a vez em que a casa estava mais cheia! Milão inteira veio se despedir do Pequeno Frodo, que deixa bastantes saudades de sua presença, sua luz, seu sorriso maroto e seu sono incontrolável!! Boa sorte ao Henricão e em breve estaremos lá para uma visita!
Para preencher a cama que um dia foi do Frodinho, chamei o grande Emerson (Son), amigo da turma que estava morando na casa do Neni (Paraná), mas como lá já tem muita gente e a rotatividade de pessoas é grande, na hora o Son aceitou o convite e em menos de uma semana já estava morando comigo e com o Salvatore. Em verdade o Frodo foi embora pela manhã e no mesmo dia à tarde o Son veio de mala e cuia. Igualmente tranquilo, organizado, limpinho, e boa gente, o Son já se adaptou à nossa casa, rotina e tudo o mais. Apesar de ser de Campinas (SP), não me parece que o Son sofreu os efeitos mágicos da água daquela região, é um rapaz honesto, falador, otimista e alegre. Viveu cerca de um ano e meio em Londres e está em Milão para fazer cidadania e tentar a vida. Esforçado e inteligente, em dois meses já fala italiano melhor do que eu e tem muita força de vontade! Benvindo Son!!

Primeiro Ano na Itàlia

23.04.2006

Um ano na Itália. Parece pouco tempo, mas quando penso em tudo o que vivi durante este tempo, a impressão que tenho é de que estou aqui há anos! Tantas experiências, viagens, pessoas, lugares, mudanças, shows, teatros, livros, conhecimento e milhões de sensações inexplicáveis. Em relação à grande maioria dos brasileiros que vêm tentar a vida aqui na Itália, estou me saindo muito bem e o fator sorte me ajudou bastante. Fui muito abençoado com as pessoas que passaram pelo meu caminho, pelas conquistas que tive neste ano, seja no âmbito profissional, habitacional, amistoso ou psicomulheril. Não posso reclamar de nada, pois tive muita sorte e conheci muita gente que me ajudou em todos os aspectos.
Quando precisei de amigos, eles vieram, começando por todos aqueles que conheci na Gelacreperia até os feitos pela internet e pelos amigos dos amigos dos amigos. Quando precisei de trabalho, logo me apareceu a Gelacreperia, depois o IKEA, o CRT Teatro Dell'Arte e os bicos como segurança e hostess. Quando precisei de repouso, viajei a lugares incríveis, fui a shows maravilhosos e aproveitei bastante. Quando precisei de minha família, o Big Bimba retornou à Itália e um pouco depois chegou meu pai, o Master Bimba. Sempre que precisei mudar de casa, do nada aparecia uma proposta interessante e jamais fiquei desamparado. Um sonho que sempre tive no Brasil, mas nunca consegui levar adiante, está se realizando aqui e de uma forma muita legal: Ovelhas Bimbônicas. Finalmente estou com uma banda legal, me divertindo bastante e, mais que isso, fazendo os outros se divertir. De sobra, ainda sob o prisma musical, veio o Robertão com a Escola de Samba Feliz da Vida, aonde comecei tocando surdo e agora canto samba enredo.
Juntando todos os amigos que fiz a Gelacreperia, com os amigos do IKEA, os da Feliz da Vida, do Ovelhas Bimbônicas, do CRT e de todos os outros que apareceram em situações peculiares (toda a galera de Genova, Lenka da Tcheka, Iasonas e Nicky da Grécia, Shireen e Maria da Palestina etc), estou muito bem acompanhado e certamente sem todas estas pessoas que me rodeiam minha vida seria muito menos feliz aqui na Itália.
Em soma, fazendo um balanço deste primeiro ano aqui na Itália, constato que o saldo é muito positivo e mesmo que alguns percalços tenham ocorrido no caminho, não seria no Brasil que eu iria conseguir escapar deles. A saudade do resto da família e dos amigos queridos vira-e-mexe bate mais forte e mais fraca, numa oscilação infinita, que procuro equilibrar com todos estes fatores que me fazem sentir bem aqui na Europa e crer que realmente aqui consigo fazer uma vida melhor do que aquela me apresentada pelas possibilidades e oportunidades no meu amado Brasil.