Monday, June 05, 2006

Gods of Metal 2006

01.06.2006

O verão vem chegando e, com ele, os grandes festivais europeus de metal! E, para minha sorte, este ano o Gods of Metal foi aqui em Milão e, assim, não precisarei dormir na grama e no frio!
Não sei o porquê, mas de dois eles saltaram para quatro dias de festival na maior enchimento de linguiça que eu já vi, a ponto de ter um dia em que eu não conheço quse nenhuma das bandas (2º dia: Strana Oficina, Fire Trails, Domine, Novembre, Stormlord, Infernal Poetry, White Skull, Mellow Toy, Boom, Perfect Picture, Extrema, Vision Divine e Necrodeath) e um dia só com bandas renascidas das trevas e que só querem fazer grana, como é o caso de Alice in Chains (o que é Alice in Chains sem o vocalista original? ) e do Guns n' Roses que, após anos de brigas tenebrosas entre seus integrantes e tendo-se em vista o fato de que nenhuma banda tentada por Axl, Slash, Duff ou Steve Adler deu certo, milagrosamente se reuniu e fará o fechamento da edição de 10 anos do Gods of Metal.
O ingresso custava uma fortuna, na média de 60 euros cada dia (por exemplo, para ir ao Wacken Open Air deste ano, paga-se 70 euros para todos os dias de festival) e o cast tinha poucas novidades para quem vive aqui na Europa, principalmente em capitas como Milão e Roma aonde acontecem todos os concertos interessantes.
Como a grana estava curta, decidi ir só no primeiro dia de festival. Apesar de no terceiro dia ter muitos grupos bons, eu já os havia assistido ao vivo (Whitesnake, Motorhead, Helloween, Stratovarius, Gamma Ray, Angra, Edguy, Sonata Arctica). O primeiro dia era o mais pesado, com Amorphis, Sodom, Satyricon, Nevermore, Testament, Down, Opeth, Dimmu Borgir e Venom. Sim, Venom! Depois de tantos anos sumidos, tornam os criadores do black metal, que influenciaram todos os grandes do metal em geral.
Cheguei um pouco tarde ao Idroscalo, já pensando em ter perdido o show do Sodom e o início do Nevermore, mas para minha sorte os shows estavam atrasados e, mais que isso, o Satyricon, que deveria tocar depois do Sodom, tocou antes. Quando entrei no Idroscalo ainda tocava o SATYRICON, com seu black metal direto, mas trabalhado. Apesar de não conhecer o trabalho deles e de haverem melhores bandas neste segmento metal, o show me agradou e eles se mostraram bem profissionais. Logo após, pude finalmente assistir ao show do SODOM, que não esteve no Brasil na turnê que fazia com o Kreator e com o Destruction. O show deles foi bem energético, mas curto, com duração de cerca de uma hora. Mas foi muito bom e pude conhecer um pouco mais o trabalho desta banda, cujo nome já tinha em mente desde meus 15 anos, mas nunca tinha parado para escutar com calma sua música. Tal como Motorhead e Krisiun, eles são um power trio que fazem muito mais som do que bandas com 5 ou 6 neguinhos no palco!
Logo após veio o NEVERMORE. Apesar de ter ido ao show do Nevermore no ano passado com o Big Bimba, Nevermore é sempre Nevermore, uma de minhas bandas preferidas. O set list foi mais curto em relação ao show que fizeram aqui em Milão, mas muito bom. Começaram com Final Product e Engines of Hate, com alguns problemas no som, em especial no microfone de Warrel Dane, mas depois tudo se normalizou. Seguiram com I Voyager, This Godless Endeavor e Enemies of Reality, The Seven Tongues of God (impossível não pogar com a introdução desta música), e, para finalizar com chave de ouro, Born. Como sempre, apesar de ser uma de minhas bandas preferidas, tenho que saber criticar e aceitar que, apesar de Warrel Dane ser um excelente compositor e ter uma voz peculiar, não consegue fazer grande uso dela ao vivo. Talvez por este motivo até hoje eles não lançaram um disco ao vivo... Mas foi muito bom! Depois do Nevermore, ninguém menos que TESTAMENT, que continuam a fazer um dos melhores thrash metal do mundo, desde os anos 80, sendo comparáveis somente a mestres como Slayer, Sacred Reich e Kreator. Chuck Billy está cada vez mais gordo, mas sem diminuir seu pique no palco. Set list perfeito, durante o qual se pogava por inércia, pois ninguém ficava parado e a roda jamais se fechava. Abriram com The Preacher e emendaram The New Order. Seguiram com Burnt Offerings, Into The Pit, Practice What You Preach, Souls of Black, The Haunted, Over The Wall e outras. Para finalizar, nada mais destruidor que Disciples of the Watch! Excelente! Novamente não tocaram nada dos últimos álbuns The Gathering, Demonic, Low, The Ritual, mas nem por isso o show foi ruim. Do contrário!
Depois do Testament foi a vez do DOWN, nova banda de Phil Anselmo e Rex, ex-Pantera. Não conhecia o som deles, mas é muito parecido com o último disco do Pantera e um pouco com o Superjoint Ritual, última banda de Phil Anselmo. Phil no palco é um animal e um palhaço ao mesmo tempo, ainda que claramente sob efeito de drogas. Falava e brincava mais com o público do que cantava. Assim, o set list foi curto e nenhuma música do Pantera nem do Superjoint Ritual foi inclusa, com a afirmação de Phil de que o que é passado é passado. Ainda assim, não esqueceu de mencionar Dimebag Darrel e fazer uma homenagem em seu nome.
Já era noite quando o OPETH entrou em cena e eu estava curioso em conhecê-los, porque são bem famosos aqui na Itália e havia muitas pessoas com camisetas com seu logotipo. Mas que decepção.... O som dos caras é um lixo, algo em torno do prog-nu-gothic-metal, e a comunicação com o público foi quase zero. O vocalista falava muito pouco e, quando falava, era besteira (do tipo,"hoje já posso dizer que fiz sexo no seu país, na Itália"), num tom de voz de quem está quase morrendo, sem qualquer animação. Li-li-li-li-lixo! Até um show do Latino, Jordy ou até mesmo Rafael Ilha deve ser mais interessante!
Em função dos atrasos, já eram nove horas da noite e eu deveria ir embora por volta das 22:30, pois havia uma reunião de negócios improtelável. Pensei que fosse perder o show do Venom, pois antes deveria tocar ainda o DIMMU BORGIR. Apesar de eu gostar muito de Dimmu Borgir, já havia visto o show deles em São Paulo, quando meus brothers do Torture Squad fizeram a abertura, ainda que fosse da turnê do álbum anterior ao Stormblast (Death Cult Armaggedon). Por isso, preferiria que o Venom tocasse antes, assim poderia ir tranquilo para minha reunião.
Minhas preces foram ouvidas e, não sei por qual motivo, após a bosta do Opeth, começaram a montar o palco do VENOM! Não sei nem se o Dimmu Borgir ainda tocou depois do Venom ou se desistiram em razão do horário, pois fui embora um pouco depois da metade do show do Venom.
Foi a troca de cenário e instrumentos mais demorada do festival, pois surgiram inúmeros problemas de percurso. Mas tudo foi esquecido quando os criadores do black metal entraram em cena executando o hino Black Metal! Seguiram-se inúmeros clássicos e músicas do novo disco, com direito a uma participação especial de Phil Anselmo em uma das canções! Além da roupinha sempre brega dos integrantes da banda e da idade já um pouco avançada, os caras estão inteiros e mandam muito bem. Incontáveis explosões de bombas e fogos de artifícios durante o show e muita, muita pogada! Fui embora para a minha reunião cansado, cheio de terra por todo o corpo, alguns hematomas no braço esquerdo, mas feliz da vida e já me programando para ir ao Wacken deste ano, na Alemanha!

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