Wednesday, June 28, 2006

Trabalho, Moradia e Música

02.06 a 30.06.2006

Acaba de se fechar mais um ciclo na minha vida, abrindo as portas para um novo, muito mais mágico e bárbaro, ao que tudo indica!
Para começar, finalizou-se o processo AGDPA (ver Bimbando em 01.02.2006) e saí de vez da Gelacreperia. Ou seja, acabei ficando sem trabalho nenhum porque já não estava mais no IKEA e os trabalhos junto ao Teatro CRT não apareceram mais. Mas como sempre a sorte ri para mim nos momentos de necessidade, após duas semanas de férias, comecei a trabalhar no mesmo hotel aonde o Emerson (Son) trabalha (Visconti Palace) durante o café-da-manhã e, às vezes, no almoço, ganhando o dobro do que eu ganhava por hora trabalhada na sorveteria ou no IKEA. Ou seja, matei dois coelhos com uma só cajadada: Ganho mais e não trabalho mais à noite! O fim do arco-íris!
Em se tratando de moradia, temos a seguinte situação: o Salvatore, como faz sempre no verão, foi embora para a Sicilia e só volta em setembro. Assim, para ocupar seu lugar e dividir o aluguel conosco durante este período chamei uma amiga muito querida, de bom coração, cuja graça é Luz, que aceitou na hora a proposta e deve se mudar no início de julho. Esperamos que ela nos suporte e se adapte bem.
Os ensaios dos Ovelhas estão indo bem e esperamos fazer um show exccepcional na próxima festa, dia 22 de julho. Além do Andrea (saxofone), estamos com um percussionista a mais. Trata-se do Alexandre, amigo nosso que mora junto com o Macaquinho, com o Marlon e com a Ghaby. A escola de Samba tem sido também convidada para tocar em vários bares e estamos nos apresentando ao menos uma vez por semana no Festival Latinoamericando. Já tocamos nos dias em que se apresentaram Jorge Aragão, Bateria da Mangueira, Daniela Mercury e Marcelo D2 e pretendemos tocar em diversos outros dias ainda! Tocaremos também na inauguração de uma boate em Brescia e numa festa brasileira em um bar aqui em Milão.
Ainda no campo musical, fomos eu, Roberto, Carla, Debora e Emerson (IBRIT) no show do Ed Motta aqui em Milão, num bar famoso chamado Blue Note, no estilo do Bourbon Street em São Paulo. Sinceramente eu esperava mais do show, pois ele fez um repertório quase que absolutamente jazz, focando mais no álbum novo e no Dwitza, e deixando de lado todas as boas canções dos velhos tempos, desde Conexão Japeri até As Segundas Intenções do Manual. Mas é sempre impressionante escutar a voz do gordão ao vivo!
Ainda, o fato de trabalhar durante o dia me permite assistir a todas as partidas da Copa do Mundo com meus amigos! Reunimo-nos num bar brasileiro para fazer bagunça e torcer pela nossa seleção.
Mas a melhor novidade de todos os tempos é que já garati minha passagem aérea para o Brasil! Chegarei ao terceiro mundo no dia 1° de setembro e retornarei ao Velho Continente em 15 de outubro. Quero rever todo mundo!!

Monday, June 05, 2006

Gods of Metal 2006

01.06.2006

O verão vem chegando e, com ele, os grandes festivais europeus de metal! E, para minha sorte, este ano o Gods of Metal foi aqui em Milão e, assim, não precisarei dormir na grama e no frio!
Não sei o porquê, mas de dois eles saltaram para quatro dias de festival na maior enchimento de linguiça que eu já vi, a ponto de ter um dia em que eu não conheço quse nenhuma das bandas (2º dia: Strana Oficina, Fire Trails, Domine, Novembre, Stormlord, Infernal Poetry, White Skull, Mellow Toy, Boom, Perfect Picture, Extrema, Vision Divine e Necrodeath) e um dia só com bandas renascidas das trevas e que só querem fazer grana, como é o caso de Alice in Chains (o que é Alice in Chains sem o vocalista original? ) e do Guns n' Roses que, após anos de brigas tenebrosas entre seus integrantes e tendo-se em vista o fato de que nenhuma banda tentada por Axl, Slash, Duff ou Steve Adler deu certo, milagrosamente se reuniu e fará o fechamento da edição de 10 anos do Gods of Metal.
O ingresso custava uma fortuna, na média de 60 euros cada dia (por exemplo, para ir ao Wacken Open Air deste ano, paga-se 70 euros para todos os dias de festival) e o cast tinha poucas novidades para quem vive aqui na Europa, principalmente em capitas como Milão e Roma aonde acontecem todos os concertos interessantes.
Como a grana estava curta, decidi ir só no primeiro dia de festival. Apesar de no terceiro dia ter muitos grupos bons, eu já os havia assistido ao vivo (Whitesnake, Motorhead, Helloween, Stratovarius, Gamma Ray, Angra, Edguy, Sonata Arctica). O primeiro dia era o mais pesado, com Amorphis, Sodom, Satyricon, Nevermore, Testament, Down, Opeth, Dimmu Borgir e Venom. Sim, Venom! Depois de tantos anos sumidos, tornam os criadores do black metal, que influenciaram todos os grandes do metal em geral.
Cheguei um pouco tarde ao Idroscalo, já pensando em ter perdido o show do Sodom e o início do Nevermore, mas para minha sorte os shows estavam atrasados e, mais que isso, o Satyricon, que deveria tocar depois do Sodom, tocou antes. Quando entrei no Idroscalo ainda tocava o SATYRICON, com seu black metal direto, mas trabalhado. Apesar de não conhecer o trabalho deles e de haverem melhores bandas neste segmento metal, o show me agradou e eles se mostraram bem profissionais. Logo após, pude finalmente assistir ao show do SODOM, que não esteve no Brasil na turnê que fazia com o Kreator e com o Destruction. O show deles foi bem energético, mas curto, com duração de cerca de uma hora. Mas foi muito bom e pude conhecer um pouco mais o trabalho desta banda, cujo nome já tinha em mente desde meus 15 anos, mas nunca tinha parado para escutar com calma sua música. Tal como Motorhead e Krisiun, eles são um power trio que fazem muito mais som do que bandas com 5 ou 6 neguinhos no palco!
Logo após veio o NEVERMORE. Apesar de ter ido ao show do Nevermore no ano passado com o Big Bimba, Nevermore é sempre Nevermore, uma de minhas bandas preferidas. O set list foi mais curto em relação ao show que fizeram aqui em Milão, mas muito bom. Começaram com Final Product e Engines of Hate, com alguns problemas no som, em especial no microfone de Warrel Dane, mas depois tudo se normalizou. Seguiram com I Voyager, This Godless Endeavor e Enemies of Reality, The Seven Tongues of God (impossível não pogar com a introdução desta música), e, para finalizar com chave de ouro, Born. Como sempre, apesar de ser uma de minhas bandas preferidas, tenho que saber criticar e aceitar que, apesar de Warrel Dane ser um excelente compositor e ter uma voz peculiar, não consegue fazer grande uso dela ao vivo. Talvez por este motivo até hoje eles não lançaram um disco ao vivo... Mas foi muito bom! Depois do Nevermore, ninguém menos que TESTAMENT, que continuam a fazer um dos melhores thrash metal do mundo, desde os anos 80, sendo comparáveis somente a mestres como Slayer, Sacred Reich e Kreator. Chuck Billy está cada vez mais gordo, mas sem diminuir seu pique no palco. Set list perfeito, durante o qual se pogava por inércia, pois ninguém ficava parado e a roda jamais se fechava. Abriram com The Preacher e emendaram The New Order. Seguiram com Burnt Offerings, Into The Pit, Practice What You Preach, Souls of Black, The Haunted, Over The Wall e outras. Para finalizar, nada mais destruidor que Disciples of the Watch! Excelente! Novamente não tocaram nada dos últimos álbuns The Gathering, Demonic, Low, The Ritual, mas nem por isso o show foi ruim. Do contrário!
Depois do Testament foi a vez do DOWN, nova banda de Phil Anselmo e Rex, ex-Pantera. Não conhecia o som deles, mas é muito parecido com o último disco do Pantera e um pouco com o Superjoint Ritual, última banda de Phil Anselmo. Phil no palco é um animal e um palhaço ao mesmo tempo, ainda que claramente sob efeito de drogas. Falava e brincava mais com o público do que cantava. Assim, o set list foi curto e nenhuma música do Pantera nem do Superjoint Ritual foi inclusa, com a afirmação de Phil de que o que é passado é passado. Ainda assim, não esqueceu de mencionar Dimebag Darrel e fazer uma homenagem em seu nome.
Já era noite quando o OPETH entrou em cena e eu estava curioso em conhecê-los, porque são bem famosos aqui na Itália e havia muitas pessoas com camisetas com seu logotipo. Mas que decepção.... O som dos caras é um lixo, algo em torno do prog-nu-gothic-metal, e a comunicação com o público foi quase zero. O vocalista falava muito pouco e, quando falava, era besteira (do tipo,"hoje já posso dizer que fiz sexo no seu país, na Itália"), num tom de voz de quem está quase morrendo, sem qualquer animação. Li-li-li-li-lixo! Até um show do Latino, Jordy ou até mesmo Rafael Ilha deve ser mais interessante!
Em função dos atrasos, já eram nove horas da noite e eu deveria ir embora por volta das 22:30, pois havia uma reunião de negócios improtelável. Pensei que fosse perder o show do Venom, pois antes deveria tocar ainda o DIMMU BORGIR. Apesar de eu gostar muito de Dimmu Borgir, já havia visto o show deles em São Paulo, quando meus brothers do Torture Squad fizeram a abertura, ainda que fosse da turnê do álbum anterior ao Stormblast (Death Cult Armaggedon). Por isso, preferiria que o Venom tocasse antes, assim poderia ir tranquilo para minha reunião.
Minhas preces foram ouvidas e, não sei por qual motivo, após a bosta do Opeth, começaram a montar o palco do VENOM! Não sei nem se o Dimmu Borgir ainda tocou depois do Venom ou se desistiram em razão do horário, pois fui embora um pouco depois da metade do show do Venom.
Foi a troca de cenário e instrumentos mais demorada do festival, pois surgiram inúmeros problemas de percurso. Mas tudo foi esquecido quando os criadores do black metal entraram em cena executando o hino Black Metal! Seguiram-se inúmeros clássicos e músicas do novo disco, com direito a uma participação especial de Phil Anselmo em uma das canções! Além da roupinha sempre brega dos integrantes da banda e da idade já um pouco avançada, os caras estão inteiros e mandam muito bem. Incontáveis explosões de bombas e fogos de artifícios durante o show e muita, muita pogada! Fui embora para a minha reunião cansado, cheio de terra por todo o corpo, alguns hematomas no braço esquerdo, mas feliz da vida e já me programando para ir ao Wacken deste ano, na Alemanha!

Mudanças

19.05 a 31.05.2006

Sinto que novos ventos de mudanças estão se aproximando para movimentar novamente minha vida européia.
Para começar, o IKEA, sabe-se lá o porquê, não renovou meu contrato e, assim, estou com um trabalho a menos. Por outro lado, o Andrea, responsável pelo CRT Teatro Dell'Arte me ligou para trabalhar mais este mês com eles e acenou de novo sobre a possibilidade de eu trabalhar como contratado do teatro a partir da próxima temporada, que começará em setembro.
Em função da não renovação de meu contrato de trabalho por parte do IKEA, disse ao Pamonha Alienígena que tenho alguns dias mais livres se precisar de mim na sorveteria. Claro que não revelei a ele que saí do IKEA, pois assim ainda tenho uma boa desculpa para não ser chamado a trabalhar no sábado à noite nem às terças-feiras, quando ensaiamos com a Escola de Samba e com os Ovelhas.
Um bico interessante que me apareceu estes dias foi entregar revistas políticas na Piazza Duomo durante um evento político. A Italian factory entrou em contato comigo e pediu-me para trazer outros dois amigos e confiança. Chamei o Son, que mora comigo e o Marlon, que mora com o Macaquinho. Nossa função era ficar das 21:00 às 22:30 horas circulando e distribuindo a revista dos partidos de esquerda, nominada Left, ganhando 50 euros por isso. Mais nos divertimos do que trabalhamos, pois ninguém queria pegar aquelas revistas toscas e cada vez que uma pessoa refutava uma revista de um de nós este se tornava motivo de gozação pelos outros dois. Logo descobrimos táticas infalíveis para distribuir as revistas e não ficar carregando peso à toa. Fizemos amizade com um grupo de sujeitos que se vestiam de verde e ficavam sentados em todos os cantos da Piazza Duomo e cercanias. Eles liam a revista com uma velocidade tal que entregávamos de dez a quinze revistas para cada um deles visando saciar-lhes a busca insaciável por cultura. Creio que neste dia nós três estávamos com a visão um pouco embaçada, talvez pelos pólens de primavera que durante todo o dia sobrevoam os ares de Milão, pois após um bom tempo, depois de falar tanto com estes amigos sem ter resposta e sem notar qualquer movimento por parte deles, nos demos conta de que se tratavam de lixeiras! Mas já era tarde e não podíamos fazer mais nada... Para tentar corrigir nosso erro, agimos na área social, ajudando os mais necessitados e homogeneizando a distribuição da cultura com igual oportunidades a todos. Assim, todos os mendigos e indigentes da região receberam seus exemplares da revista Left! E para mostrar que não temos preconceito, entregávamos três ou quatro exemplares a cada um deles, de uma só vez. Fomos embora felizes e contentes por termos atingido nossos objetivos e feito um trabalho exemplar!
Mas, em relação a trabalho, o que mais me deixou feliz nos últimos dias foi um contato inesperado de trabalho. Outro dia, no refeitório do IKEA, um amigo meu disse-me que desde o dia da festa Brasil 360º queria falar comigo e não me encontrava, pois uma amiga sua, que também estava na festa, queria me contatar de qualquer jeito. Seu nome é Jennifer e trabalha na seleção do cast da MTV Itália. Assim que tive tempo, liguei para ela e marcamos uma entrevista. Ela disse ter observado minha postura durante toda a festa, seja com os Ovelhas, com a Escola de Samba, fazendo caipirinhas, atendendo os convidados e conversando com todos, e disse que eu teria perfil para trabalhar com eles, podendo até mesmo ser VJ. Fiquei um pouco espantado, mas bastante feliz, pois não mandei curriculo, não busquei e nem pensava nisso. Em um estúdio da MTV, eu, Jennifer e Simona, que também seleciona o cast da MTV, conversamos por quase uma hora, num esquema de entrevista, diante das câmeras, sendo que eu devia estar sempre com aquele microfoninho MTV em mãos. Elas certamente queriam testar minha postura diante das câmeras e me perguntavam sobre tudo de minha vida. Foi muito legal, mas não é para um trabalho imediato. Bom, ao menos a semente foi plantada e certamente manterei o contato com ela, para não me jogarem no esquecimento.
Quanto aos Ovelhas, à Escola de Samba e até mesmo ao Clube do Balanço, fizemos reuniões individuais com cada um destes grupos para decidirmos seus futuros, uma vez que chegamos num momento decisivo de nos tornarmos mais profissionais e sérios sob pena de perdermos tudo aquilo que conquistamos até hoje. As pessoas estão cada vez mais cobrando uma festa melhor e mais tempo de som ao vivo. Recebemos diversas propostas para tocarmos em outras cidades e até mesmo montarmos o esquema da festa Brasil 360º (comida e bebida brasileiras a preço baixo, MPB ao vivo, DJ e Escola de Samba) em outros eventos. Além disso, durante os meses de junho, julho e agosto haverá o Festival Latindoamericano, famosíssimo aqui em Milão, aonde tocam artistas de toda a América do Sul e no ano passado representaram o Brasil Ivete Sangalo, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, entre outros, aonde teremos oportunidade de divulgar nosso trabalho e nossas festas, em razão de diversos contatos que conseguimos fazer al longo das festas. Espero realmente que consigamos subir este degrau sem desconstituir nenhum dos três grupos, pois não são todos que estão dispostos a levar mais a sério o que de início era só uma diversão sem qualquer responsabilidade. Mas tenho certeza de que, mesmo havendo qualquer ruptura no grupo, os remanecentes serão mais fortes do que nunca e a próxima festa será uma explosão!