Tuesday, January 09, 2007

Ano Novo em Paris

29.12.2006 a 01.01.2007

Conforme previamente combinado desde outubro, fomos eu, o Big Bimba e o Son encontrar Bambina, sua irmã, Donata e toda uma galera indócil em Paris para o ano novo. O grande Cauê já estava lá desde o dia 23 e iría se juntar a nós no dia 30, como de fato aconteceu. Dormimos na casa de minha amiga francesa Claire, que conheci em Genova durante minhas visitas à Bambina quando ela morava lá. Ficamos num quarto eu, Big Bimba, Son, Cauê e Laura, uma amiga italiana que também conheci em Genova.
Logo que chegamos fomos diretamente à Praça da catedral de Notre-Dame encontrar todo o pessoal que já se concentrava para a baladinha da noite. Fomos com mala e tudo e, chegando lá, nos deparamos com a bela catedral, com uma bela árvore de natal á sua frente e um bando de malucos bêbados, cada um falando uma língua diferente, sendo que muias destas pessoas haviam sido agregadas ao grupo naquele mesmo momento. Tinha até mesmo um indigente francês comemorando conosco que não fazia outra coisa que não procurar bebida. Era incrível como ele circulava entre as bolsas, carteiras, mochilas, máquinas fotográficas e nada disso o interessava, pois ele só pegava em mãos as garrafas de vinho para conferir se ainda tinham alguma gota da bebida. Após muitas saudações, vinho, fotos, risadas, pegamos o metrô para ir a uma baladinha até então desconhecida de quase todos. A única informação que tínhamos é que não se pagava para entrar e, por isso mesmo, seguimos a carruagem. Fizemos uma zona terrível no metrô de Paris, entrando pela saída das catracas e dando de beber para os outros pasageiros. Um de nossos companheiros, o namorado da Gaby Agustini, havia defecado nas calças quando ainda estávamos na praça da Notre-Dame e assim permaneceu durante toda a noite, o que o impossibilitou de se sentar no metrô e na baladinha. Isso sem contar que ele havia sumido por um bom tempo para tentar encontrar um banheiro e somente reapareceeu quando a bomba explodiu e nada mais havia a se fazer.
A baladinha realmente era gratuita e no melhor esquema tuf-tuf na orelha, com sofás por todas os lados e banheiro repleto de recortes de jornais colados e versos inteligentes escritos nas paredes. Tomamos umas brejas, trocamos idéia, dançamos um pouco e, num momento bárbaro, quando estávamos eu, o Big e o Son próximos ao bar, uma moça francesa deixou seu namorado de lado e veio nos pedir para fazer uma foto conosco. Até aí tudo bem, já estou acostumado, vida de artista e tal... mas o estranho é que ela não tinha máquina fotográfica e nem pediu para mandarmos a foto por e-mail. Tiramos a foto com a nossa máquina e ela voltou feliz para o namorado. Beleza. Vontamos para casa lá pelas 6 da manhã e capotamos. Lembro a todos que ainda não havíamos deixado as mochilas e demais petrechos de viagem em casa, pois do aeroporto fomos pra praça e da praça, para a baladinha.
Acordamos, tomamos banho e, como já era hora do almoço, fomos no McDonalds mesmo para sermos rápidos e sairmos logo de rolê pela cidade. Após o rango, fomos conhecer o Arco do Triunfo e a Torre Eiffel, fazendo todo o caminho a pé, desde a Esplanada de La Défense. Isso deu caminhada para toda a tarde. Quando anoiteceu, estávamos próximos à Torre e pudemmos presenciar o espetacular show de luzes que fizeram em toda a grande Eiffel. Logo após passamos em um supermercado e preparamos uma refeição noturna do jeitinho do nosso paladar e comemos em um banco de praça aos pés da Eiffel. Estava fazendo um baita frio e ventando bastante, mas nosso espírito indomável não nos abandonou!
Durante a noite a Claire decidiu chamar todos para irem na casa dela comer alguma coisa e descansarmos mais cedo. Cada um levou comes e bebes e ficamos curtindo momentos, dóceis desta vez, na casa da Claire.
Dia seguinte, acordamos e fomos novaamente circular pela cidade, desta vez pela Catedral de Notre-Dame, pelo Louvre, Praça de la Concorde e toda a região próxima a estes lugares.
Para a virada do ano já estava tudo preparado numa das festinhas mais alucinantes que já estive num prédio de 3 andares superiores e um subterrâneo no centro de Paris, onde durante os dias normais funciona uma espécie de atelier de arte. Para entrar bastava pagar 5 euros e levar alguma comida e alguma bebida. Mas não era uma festa divulgada pelos meios de comunicação de massa, mas somente entre amigos, no famoso boca-a-boca. Havia pessoas de todo o mundo, bebidas e comidas de toda sorte e uma atmmosfera de indocilidade que mais tarde se revelaria constante, geral e irrestrita.
Nos minutos iniciais da festa, com as pessoas ainda sóbrias, deparamo-nos com nosso grande amigo Datena, que passou o ano novo 2005\2006 conosco em Milão. Sabia que ele morava em Paris, mas não tive tempo de contatá-lo e pensei que não mais iria revê-lo. mas por obra do destino, nos encontramos por acaso nesta festa! Grande Datena, que depois que aprendeu a falar "Auguri", não diz outra coisa nas comemorações de ano novo!
Cada andar da festa tinha um som diferente que era escolhido pelos próprios convidados. Bastava levar um CD e colocar para tocar. No andar subterrâneo rolava um jazz ao vivo para a galera mais viajada, no andar térreo rolava quase sempre um Michael Jackson das antigas, quando ele ainda tinha nariz de verdade, e nos outros andares.....não me lembro, mas certamente deveria ser Jordy ou essas coisas francesas.
O mais bárbaro é que cada um falava uma língua, mas pelo espírito de paz, fé, esperança, luz e união que permeia o ano novo, todos se entendiam perfeitamente! Assim, eu via o Big falando italiano com uma mina francesa que só sabia falar alemão e os dois se divertiam. Numa outra ocasião ele ficou tentando xavecar uma mina em todas as línguas quando, ao final, descobriu que ela era brasileira! Eu encontrava umas pessoas estranhas e falava inglès. Quando me respondiam em francês, eu mudava pro italiano e a pessoa mudava pro inglês, momento no qual eu mudava para o português e ela para o espanhol. Mas no final tudo acabava magicamente bem! Vou dizer que conheci a festa toda, mas não sabia o nome de ninguém nem que língua falava. A mais bárbara que conheci foi uma mocinha alemã que curtia death metal! Estávamos combinando de irmos juntos ao Wacken Open Air deste ano, mas esquecemos de trocar telefones, e-mails e até mesmo nomes...
A mistura vinho/vodka/whisky/malibu/cerveja/champagne/água era a bebida da noite. Aliás, eu sabia que não deveria ter tomado aquela água no final...
Aliás, não entrarei em muitos detalhes sobre a festa, pois a Lei do Silêncio deve prevalecer. Quem foi, foi. Quem não foi, veja as fotos e deduza os acontecimentos mais bárbaros da festa!
Só sei que desde meus tempos de festas da universidade, carnavais no interior de Minas Gerais, e coisas do naipe que não me divertia tanto. Um excelente ano novo que vai ficar para a história.
Paris é uma cidade maravilhosa e os franceses não são antipáticos como todos dizem. Ao menos foi essa a impressão que durante estes 3 dias em que estive em Paris. Mesmo quando fui a Marselha (sul da França) não fui tratado mal por nenhum francês, mesmo sem falar quase nada da língua deles. Do contrário!
Para completar a viagem, o Son conseguiu um fhlempsz para o fim da noite de ano novo e foi dormir na casa da presepêra. O combinado era nos encontrar no dia seguinte diretamente no aeroporto Charles-de-Gaulle às 2 horas da tarde. O próprio Son repetiu dezenas de vezes o nome do aeroporto e a hora do encontro para não esquecer e acabar ficando em Paris. Pois bem, voltamos para a Itália somente eu e o Big Bimba, pois embarcamos às 15 horas e nada de Son aparecer! O pior é que ele havia deixado o celular conosco, na mala dele! No final, ele pegou um ônibus e demorou quase um dia para volttar á Milão. Grande Son!Ano novo inesquecível e espero que a cada ano seja melhor! Aliás, no próximo ano terei férias neste período se tudo der certo no Consulado, de modo que provavelmente esteja no Brasil!!

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