Tuesday, February 27, 2007

Moradia e Eventos

11.02 a 01.03.2007

Como se isso ainda fosse novidade, vamos novamente mudar de casa!! Eeeeeeeeeeeehhhhhhh!! O Salvatore vendeu o apartamento no Corso Lodi e comprou o atual, na Via Lecce. Agora vendeu este da Via Lecce, mas ainda não comprou outro. Vejam que bárbaro: até o começo de abril devemos abandonar a casa e ainda não temos para onde ir! Mas isso não é tudo. Salvatore sempre foi um ser deveras misterioso e nos últimos tempos não dorme sequer um dia em casa. Diante disso, alugou a cama dele por um mês para um Siciliano de nome Andrea, mas carinhosamente apelidado Comédia. O rapaz é estranho, não toma banho, só come cremalheiras e assiste televisão. Não sai, não se diverte (apesar de nossos inúmeros convites), não passeia para conhecer a cidade, tem um chulé da peste e um cecê dos infernos. Nossa convivência com ele sempre foi pacífica, mas é indiscutível que nossa liberdade fica um pouco limitada com a presença do Comédia em casa , pois ele tem seus horários para dormir, comer e toda uma rotina diversa da nossa. Mas agora ele já se foi e tudo voltou ao normal.
Começamos a procurar um apartamento para alugar por conta própria e decidimos nos desvincular do Salvatore de vez. Apesar das vantagens de morar com ele (não temos contrato, não pagamos caução, não há data fixa para o pagamento do aluguel, podemos fazer a bagunça que queremos e ele nunca está em casa), as desvantagens pesam mais: incerteza quanto ao tempo de permanência na casa, incerteza quanto à presença do Salvatore na casa (certa vez, pela manhã, estávamos dormindo na sala, eu e a Ana, e o Big dormia no quarto, quando de repente o Salvatore entrou no apartamento com outras três pessoas para visitar a casa. Deu meia-volta e saiu andando sem olhar pra trás, depois me mandou uma mensagem no celular pedindo desculpas.), não disponibilidade da casa para mobiliarmos e decorarmos como quisermos etc.
Com certeza em abril estaremos na minha quinta moradia desde que vim para a Itália. Que mágico!
Em se tratando de eventos, participei do Arrastão para Iemanjá organizado pela escola de samba Mitoka Samba durante os dias 3 e 4 de fevereiro. Foi uma mistura de seminário de percussão, no qual eu toquei pandeiro, com uma espécie cortejo egocêntrico pseudo-religioso, no qual dezenas de italianos festejam Iemanjá sem nem saber o que estão fazendo, o que é exatamente Iemanjá, e servindo como figurantes do teatrinho desejado pelo organizador que, sozinho, não conseguiria fazer este cortejo. Notei isso quando, logo após do evento, fui elogiar o organizador e dar até algumas idéias, no que ele foi extremanente rude e hostil, demonstrando antipatia total pela nossa escola de samba e até pela minha presença lá, como se eu fosse um espião da escola Feliz da Vida, enviado para acompanhar e criticar o evento. Liiiiixxxxoooo! O único ponto positivo mesmo foi reencontrar amigos de Napoli, Bari e Trieste e tocar um pouquinho de pandeiro.
Para o carnaval, o Feliz da Vida foi chamado para tocar num centro comercial em Mantova e no Corso Garibaldi em Milão, junto com o Mitoka Samba e uma academia de capoeira. De uns tempos pra cá, depois de tocar surdo e ganzá, parti para a caixa, e até que não estou me saindo muito mal. O Big, por sua vez, está tocando o surdo e cada vez mais entrosado com as músicas e com os demais percussionistas. Divertimo-nos bastante nos dois eventos e é muito bom estar tocando com o Big!Ainda no campo musical, no dia 18 de fevereiro toquei novamente no Ponto de Encontro do IBRIT e pensamos em organizar algo juntos, eu e o Emerson, para tocarmos no próximo Ponto de Encontro. Preciso atualizar meu repertório e ensaiar alguma coisa com o Big Bimba também, que já se tornou um Ovelha!! Ainda não temos uma data precisa, mas na próxima festa acontecerá sua estréia nos palcos com os Ovelhas.

Trabalho e Esporte

15.01 a 10.02.2007

Conforme já mencionado neste diário, comecei a trabalhar no Consulado-Geral do Brasil em Milão em novembro do ano passado, mas com um contrato a prazo determinado, inicialmente previsto para apenas 3 meses. Felizmente renovaram meu contrato por mais 9 meses e até novembro de 2007 estou tranquilo quanto ao meu salário no final do mês e quanto a fazer algo que exija um pouco mais do meu intelecto do que os trabalhos que fazia antes. A cada dia aprendo mais os procedimentos, as leis, os regulamentos e volto a me interessar pela vida jurídica, da qual havia me afastado e não pensava em retornar.
Assim, estou pesquisando acerca da validação de minha profissão de advogado aqui na Itália e, consequentemente, em toda a União Européia. Talvez leve um tempo para conseguir, pois provavelmente terei que cursar algumas disciplinas para equivaler meu histórico escolar universitário brasileiro com o italiano. Certemante terei que estudar a legislação italiana, os princípios jurídicos e constitucionais e toda a parte procedimental, mas devo aproveitar a segurança por tempo determinado que o trabalho no Consulado está me proporcionando, para buscar algo mais sólido e que de preferência me permita trabalhar para mim mesmo.
Ainda em relação a trabalhos, estou me aventurando por águas jamais dantes navegadas por mim. Há algum tempo, uma amiga italiana que toca tamborim na escola de samba, Laura, perguntou quanto eu cobraria para fazer conversações em português, pois ela adora a língua portuguesa e queria muito aprender a falá-la. Claro que eu disse ser incapaz de cobrar para conversar com uma amiga. Diante de insistência por parte dela, disse que poderíamos, de vez em quando, sair para tomar alguma coisa, bater um papo em português e, no máximo, ela pagaria a conta. No entanto, achei que isso poderia ser perda de tempo e de oportunidade e impus uma condição para fazermos as aulas de língua portuguesa a pagamento: que as aulas fossem divididas em três partes, quais sejam, gramática, textos e conversação, com direito e lição de casa. Ela aceitou e estamos nos encontrando toda quarta-feira das 21 às 23 horas. Está sendo uma experiência interessante para mim e estou tentando criar um método didático para usar com outros alunos italianos no futuro. Este trabalho faz-me unir o útil ao agradável, pois tenho uma renda a mais e me mantenho atualizado com minha própria língua. Só não sei se estou sendo um bom professor... Depois da última aula, saímos do quarto e nos deparamos com o Big Bimba e a Ana que conversavam na sala, no que minha aluna lançou a eles: "E aí, Zé Mané!? Tudo bem, Maria Gasolina!?".
Permito-me escrever um pouco sobre o trabalho do Big que, após dois meses em Milão, finalmente conseguiu um emprego e, o que é melhor, em sua área de atuação! Ele foi contratado para ser representante comercial pela Epicure, um empório de vinhos, na zona central de Milão. A experiência está só começando, mas ele tem tudo para se dar muito bem, pois finalmente encontrou um campo que gosta e se interessa.Mudando um pouco de assunto, após quase dois anos só andando de bicicleta e caminhando pela cidade, voltei a frequentar uma academia! A estabilidade salarial pelo trabalho no Consulado permitiu-me voltar a pratica o takwondo. A academia e o professor não chegam nem aos pés daqueles que havia no Brasil (Academia Nagasawa, mestre Binho), mas eles são sérios, não cobram muito e eu volto a me sentir melhor fisicamente, tanto na parte aeróbica quanto na muscular, o que me dá mais disposição para fazer tudo.