Thursday, February 09, 2006

Chico Cesar e Ray Lema

08.02.2006

O Teatro dal Verme organizou um festival internacional de música com o título Incroci Sonori (cruzamentos sonoros), no qual busca integrar elementos de diversos estilos musicais, etnias e origens, em improvisações e experimentos sempre tendentes ao jazz. O próprio slogan do festival remete a isso: "se non sai cos'è, allora é jazz" (se não sabe o que é, então é jazz).
Nesta fria noite de quarta-feira o encontro musical não poderia ser mais convidativo, a ponto de nos fazer sair de casa. Ray Lema, original do Congo, um exímio percussionista e pianista, com fortes inspirações da música étnica de suas raizes, mas formação clássica no piano e influências do jazz que veio a conhecer durante o tempo em que morou nos Estados Unidos, apresentar-se-ia com Chico César, nanico brasileiro que dispensa apresentações.
Uma mistura realmente interessante, que por quase 2 horas de concerto prendeu a atenção do público presente, em sua maioria formado por italianos.
Eu, meu pai, Rubinho, Flora, Júlia e Lucas (Negão), encontramo-nos por volta das 20:30 horas para pegar um bom lugar, sendo que o show começaria às 21:00 horas. Eu e o Master Bimba chegamos um pouquinho antes e já encontramos o Chico César no bar do teatro. Aproveitei para dar umas dicas para ele não ficar nervoso antes da apresentação e fazer um bom espetáculo!
Pegamos realmente um bom lugar e, por volta das 21:10 horas começa o show com Ray Lema, piano e voz, e Chico Cesar, violão e voz. A primeira música foi uma mistura rearranjada de uma canção africana e Béradêro, canção famosa de Chico César por sua interpretação em solo de voz. Logo após apresentaram uma canção que certamente foi composta pelos dois, em parceria, pois a letra fazia menção à África e ao Brasil. Mais adiante, novamente mostraram uma outra composição conjunta que trata da amizade entre uma pessoa do Congo e outra de Catolé do Rocha (Paraíba), cidade-natal de Chico César.
Entre diversas músicas em francês-africano, interessantíssimas num arranjo jazz, tivemos oportunidade de escutar também algumas canções brasileiras como, por exemplo, Asa Branca, além de algumas composições do próprio Chico César. E foi exatamente neste momento que todo o teatro descobriu que éramos brasileros, pela forma de manifestar nossa alegria em escutar essas canções. No meio de um teatro cheio de europeus finos e educados, fomos o centro da atenção por alguns momentos ao cantar em voz alta Mama África e À Primeira Vista, batendo palma e balançando os braços pro alto. E olha que até o Master Bimba entrou nessa! Isso sem contar a atitude brasileira de, ao requerer "bis", bater fortemente e repetidamente, em ritmo alucinante, os pés no chão, batendo palmas. Mas ao final, por mais que nos olhassem assustados, todos gostaram da idéia, levantaram-se e se puseram a dançar no "bis" de Mama África!
Depois do show fomos até o camarim conversar com o Chico e com o Ray. Ficamos um bom quarto de hora falando com eles, fizemos algumas fotos e fomos embora. Importante mencionar que a Julia, num impulso cleptomaniaco, subtraiu uma garrafa d'àgua do camarim!
Realmente foi um show muito interessante que comprovou mais uma vez a versatilidade do Chico César como músico e me fez conhecer o Ray Lema que, além de ser uma pessoa simpaticíssima, é um músico muito competente e que, de fato, toca com a alma. Segundo o Chico me afirmou, em março ele volta à Europa para apresentar-se com sua banda. Esperamos, então, pequeno grande Nanico!

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